Categorias

O VELHO DA HORTA, de Gil Vicente, teatro de animação para toda família no SESI.

Teatro SESI Campos

09 e 10 de julho, sábado e domingo17 h
Capacidade: 204 lugares

Ingressos: R$ 10,00 (inteira) R$ 5,00 (meia e promocional)

Classificação etária: LIVRE

 

A Cia PeQuod, patrocinada pela Petrobras com a chancela do Ministério da Cultura, coloca na estrada o espetáculo O Velho da Horta, de Gil Vicente. A montagem, vencedora do Prêmio Maria Clara Machado na Categoria Especial “pelo trabalho com os bonecos” circulará pelas cidades de Cabo Frio, Macaé e Campos dos Goytacazes como parte das atividades de 2011 da mais importante companhia carioca de Teatro de Animação.

Criada em 1999, a Cia PeQuod leva para o interior do Estado do Rio de Janeiro um dos seus trabalhos mais virtuosos, graças ao ineditismo de transpor para o Teatro de Animação o universo de Gil Vicente, o maior autor do Teatro Português e que inseriu seu nome para sempre na História da Dramaturgia universal com obras primas como O Auto da Barca do Inferno e A Farsa de Inês Pereira.

Terceira montagem da PeQuod, O Velho da Horta explora novamente as potencialidades da manipulação direta, uma derivação do bunraku japonês. Esta técnica permite uma movimentação bastante humana, onde cada boneco pode ser manipulado por um, dois ou três manipuladores, dependendo das necessidades de cada boneco. Neste espetáculo, quatro manipuladores se revezam entre os oito personagens da peça. A Cia PeQuod vem trabalhando com esta técnica há mais de uma década e em cada nova montagem desafios novos também são estabelecidos.

O Velho da Horta, uma farsa escrita em 1512, conta as peripécias de um frustrado amor senil, cujo protagonista, um velho sessentão e proprietário de uma horta, se apaixona subitamente por uma jovem compradora. Uma trambiqueira surge na história para enganar o Velho com falsas promessas de um amor correspondido. Para além da manipulação dos bonecos, que parecem estar vivos, é destaque na montagem o cenário de Carlos Alberto Nunes que recria com minúcias a tal horta do protagonista, onde os bonecos vão colher e plantar legumes, frutas e verduras, podar flores diversas e ajeitar a terra para a próxima estação. O clima bucólico da horta é completado ainda por um pequeno lago.

O Velho da Horta foi a peça escolhida pela PeQuod para marcar os 500 anos da obra de Gil Vicente, comemorados em 2002. Ganhou o Prêmio Maria Clara Machado, na Categoria Especial, “pelo trabalho com a linguagem dos bonecos” e teve ainda indicações para Melhor Cenografia e Melhor Iluminação. De lá para cá a montagem participou dos mais importantes projetos de circulação existentes no país como o Palco Giratório, pelo SESC; a Caravana FUNARTE, o circuito SESC-CBTIJ entre outros. Durante a temporada na cidade de São Paulo ganhou destaque na vasta programação infantil da capital paulistana graças à boa acolhida da crítica. Segundo Dib Carneiro Neto, do jornal O Estado de São Paulo, apontou que “num tempo em que a velhice é cada vez mais encarada com preconceitos e a terceira idade carece de condições mínimas de respeito e solidariedade, uma peça que escancara o amor sem medidas e sem limites de idade é programa obrigatório, social e didático. Para ajudar a criar um ser humano melhor”.

Direção: Miguel Vellinho

Adaptação da obra de Gil Vicente: Rosita Silveirinha,

Márcio Newlands e Miguel Vellinho.

Elenco:

Liliane Xavier, Raquel Botafogo, Márcio Newlands,

Márcio Nascimento e Miguel Vellinho.

Cenografia: Carlos Alberto Nunes.

Figurinos: Kika de Medina.

Direção Musical: Maurício Durão

Iluminação: Renato Machado

Ass. Teórica: Rosita Silveirinha

Escultura dos Bonecos: Bernardo Macedo

Confecção dos Bonecos e Adereços: Márcio Newlands e Miguel Vellinho

Fotografias: Simone Rodrigues

Direção de Produção: Liliane Xavier


Realização: Cia. PeQuod – Teatro de Animação

A PeQuod nasceu de uma oficina realizada em 1999, que originou o espetáculo Sangue Bom. Entre seus participantes, reunidos por Miguel Vellinho, cresceu a vontade de continuar juntos. O grupo acabou ganhando cara própria e montando um repertório que conquistaria reconhecimento nacional.

Esta companhia tem como linha mestra um estudo criterioso sobre a espacialidade no Teatro de Animação, procurando rever determinados conceitos desta arte, na busca de um encontro autêntico com seu público em plena era tecnológica. Sem abrir mão do lado artesanal, a PeQuod pretende travar um diálogo que favoreça o nascimento de um Teatro de Bonecos em dia com a contemporaneidade de outras manifestações artísticas, como o cinema, a dança e a arte seqüencial. Esta interseção de linguagens é uma das características do trabalho do grupo, que desde sua primeira montagem investe numa metodologia que propicie esse aglutinamento visual e estético.

Em Sangue Bom, o espetáculo a partir do qual a companhia foi criada, uma alternativa diferente de teatro de bonecos para adultos, que buscava na literatura gótica e nos contos de vampiros a sua fonte inspiradora. O espetáculo estreou em 1999, após quase um ano de ensaios e cumpriu uma carreira regular no Rio de Janeiro recebendo elogios de crítica e público. Sangue Bom tem sido destaque nos mais importantes festivais de teatro do país, até mesmo naqueles com programação hegemonicamente composta por espetáculos só com atores.

No espetáculo seguinte, a junção do teatro musical com o teatro de bonecos foi a tônica para a construção de um auto de Natal feito com bonecos, cantores e músicos ao vivo. Noite feliz – Um Auto de Natal – acabou virando a grande surpresa da programação de final de ano carioca de 2001. Chamava atenção na montagem o apuro da manipulação realizado pelos cantores que davam vozes aos bonecos.

Em 2002, em virtude da comemoração pelos 500 anos da obra de Gil Vicente, a PeQuod resgatou a pequena farsa O Velho da Horta e a transformou num espetáculo infantil, vencedor do Prêmio Maria Clara Machado de 2003, na Categoria Especial, pela confecção dos bonecos, além de ter sido indicado nas categorias Melhor Iluminação e Melhor Cenografia.

Em 2004, a PeQuod estreou Filme Noir, uma inusitada experiência que reunia a linguagem do teatro de animação e o gênero cinematográfico norte-americano dos filmes escuros de contos policialescos. A montagem teve excelente repercussão de público e crítica. Filme Noir foi o vencedor do Prêmio Shell de Teatro em 2005 na categoria Melhor Iluminação, pelo trabalho de Renato Machado, além de ter sido indicado para a Categoria Especial, pela qualidade de confecção e manipulação dos bonecos.

No ano de 2006, a companhia lançou-se em uma empreitada de grande ousadia. A montagem de Peer Gynt, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen demandou grande esforço, não apenas pelo desafio de montar a grandiosa fábula poética acerca do homem que fracassa ao tentar saber quem é. O espetáculo foi um verdadeiro marco na trajetória do grupo que combinou bonecos e atores num cenário de alta sugestão poética e revelação total das engrenagens que impulsionam a ilusão da cena. Esses esforços acabaram sendo recompensados com duas indicações ao Prêmio Shell (Melhor Direção e Melhor Cenografia), além de ter sido considerado pela crítica de Teatro do jornal O Globo, Bárbara Heliodora, como uma das dez melhores peças teatrais de 2006.

Após percorrer diversas cidades e importantes festivais de Teatro de bonecos, em sua primeira incursão internacional pela Espanha, em 2007, a PeQuod passou o restante do ano visitando inúmeras cidades do país com o seu repertório até então de cinco espetáculos.

Em janeiro de 2008, enquanto preparava o seu próximo espetáculo, apresentou com grande sucesso a sua primeira retrospectiva de repertório, intitulada RETROSPEQ! – O teatro da Cia PeQuod.

Em 2009 estreou A Chegada de Lampião no Inferno com críticas elogiosas, sessões lotadas e duas novas indicações ao prêmio Shell de Teatro de 2009: Melhor Cenografia e Melhor Iluminação. O espetáculo prosseguiu com o tipo de integração entre bonecos, atores e objetos iniciado em Peer Gynt, explorando a maldade inerente ao ser humano e tendo como apoios principais a mitologia que envolve a figura do Capitão Virgulino Ferreira, vulgo Lampião, famoso bandido brasileiro que marcou a história do Cangaço, e a impressionante descrição do vício humano feita por Dante Aligheri em sua Divina Comédia.

Em 2010, a PeQuod lançou-se em novos desafios, de naturezas distintas. O primeiro foi organizar e realizar a MITA – Mostra Internacional de Teatro de Animação, festival que trouxe ao Rio de Janeiro grupos da Argentina, Holanda e Portugal além de companhias brasileiras de outros estados. No segundo semestre estreou o projeto Marina, espetáculos com duas versões, uma adulta e outra infantil do conto A Sereiazinha, de H. C. Andersen, utilizando canções de Dorival Caymmi e que se transformou em mais um projeto ousado, explorando desta vez a manipulação de bonecos aquáticos dentro de quatro grandes tanques.  Recebeu, por este trabalho, importantes indicações para os mais importantes prêmios de teatro do país, referentes às montagens em 2010: 1 indicação ao prêmio Shell, na categoria especial, para o diretor da Companhia, Miguel Vellinho, pela maestria na linguagem de manipulação de bonecos e pela sensibilidade em harmonizar o universo de Andersen com a obra musical de Dorival Caymmi. No prêmio Zilka Salaberry de Teatro Infantil, recebeu 6 indicações (incluindo melhor trilha sonora) e foi premiada em cinco delas: melhor direção; melhor cenário; melhor espetáculo; melhor iluminação e categoria especial, pela confecção dos bonecos. Também recebeu as seguintes indicações para o Prêmio APTR: melhor iluminação e categoria especial.

A PeQuod é hoje uma das mais destacadas companhias de teatro de animação do país, com um repertório sólido e reconhecido em todo o Brasil. Atualmente, a Cia PeQuod é patrocinada pela Petrobras, através do Programa Petrobras Cultural, para a manutenção da companhia por dois anos.

O Velho da Horta é um programa para toda a família. Agrada as crianças pela riqueza visual, pelos bonecos e pelo cenário. E deleita os adultos pela fina ironia do texto, pela profundidade que se revela no final da peça e pela elegância da manipulação e atuação do elenco.

 

Compartilhe
  • Add to favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • email
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Live
  • Orkut
  • PDF
  • Print
  • StumbleUpon
  • Technorati
  • Twitter

Leave a Reply

 

 

 

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados