Executivo da Engevix fica em silêncio e é dispensado da CPI da Petrobras

Vice-presidente da Engevix, Gerson Almada (à direita), preferiu ficar em silêncio na CPI da Petrobras. O relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (à esquerda), pediu a dispensa do executivoMarcelo Camargo/Agência Brasil

Vice-presidente da Engevix, Gerson Almada (à direita), preferiu ficar em silêncio na CPI da Petrobras. O relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (à esquerda), pediu a dispensa do executivoMarcelo Camargo/Agência Brasil

O vice-presidente da Engevix Engenharia, Gerson de Mello Almada, decidiu usar o direito constitucional de permanecer em silêncio na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Almada seria ouvido nessa quinta (21) na condição de investigado. Ao informar que ficaria em silêncio, ele foi dispensado da reunião.

Denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro e corrupção, Almada está em prisão domiciliar e afirmou ter demonstrado o interesse em colaborar com as investigações por meio dos diversos depoimentos prestados ao juiz, responsável por conduzir as invesigações da Operação Lava Jato, e à Polícia Federal.

“Embora compreenda e respeite as relevantes atribuições constitucionais da CPI, seguindo orientação dos meus advogados, não me manifestarei. Reconheço os poderes investigatórios da CPI, que presta grande serviços ao esclarecimento dos fatos. Reitero minha real intenção de colaborar com as investigações”, disse Gerson Almada para, em seguida, entregar os depoimentos já prestados.

Após Almada informar a decisão de não falar, o relator da comissão, Luiz Sérgio (PT-RJ), pediu a dispensa do executivo e foi atendido pelo presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB). A saída de Almada provocou polêmica entre os deputados.

Vários parlamentares manifestaram desagrado com a dispensa e avaliaram que Almada deveria ter permanecido ouvindo as peguntas, mesmo que se recusasse a responder. Houve também manifestações de apoio ao presidente da CPI.

Hugo Motta respondeu às críticas e disse que é preciso dar celeridade à comissão e não dedicar horas a quem não pretende responder questionamentos dos parlamentares. “Teoricamente teríamos mais um mês de funcionamento e já pedi prorrogação do prazo. Queremos dar agilidade e produtividade aos trabalhos. Convivo bem com as críticas, mas tenho de fazer a CPI funcionar, partir para a acareação, para investigação que contribua com nosso trabalho. Se ficarmos mantendo a CPI como palco político, não chegaremos a lugar algum”, explicou.

“Não estou aqui protegendo ninguém, mas investigando com transparência, respeitando a democracia. Não posso ser vítima de acusações quando, na verdade, quero fazer a CPI produzir.”

A previsão era que o vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite, também fosse ouvido hoje na CPI da Petrobras, mas, a pedido do advogado de defesa, o depoimento foi adiado para 26 de maio. Na justificativa, o advogado informou que tinha compromisso agendado anteriormente e não poderia acompanhar o cliente.

Fonte: AGBR

Youssef diz à CPI que não pode confirmar remessa de dinheiro a Cunha

1431363028162O doleiro Alberto Youssef esclareceu nesta segunda-feira (11) aos integrantes da CPI da Petrobras, que não pode confirmar a remessa de dinheiro da OAS para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). “Recebi da OAS para que fosse entregue o recurso nesse endereço. Não sabia quem era morador dessa residência”, disse Youssef aos parlamentares. No mesmo depoimento, o doleiro voltou a afirmar que o Planalto sabia do esquema de corrupção na Petrobras, com o blog do jornalista Alexandre Bastos publicou aqui.

“Eu recebia o endereço, o local, a cidade e quem iria receber”, disse Youssef ao argumentar que eram comum o procedimento de entregar sabendo o nome apenas do intermediário e não do destinatário final dos recursos desviados. Cunha é um dos políticos investigados por suspeita de envolvimento com o esquema de desvios envolvendo contratos da Petrobras. Ele nega ter qualquer ligação com o doleiro ou com o esquema.

Youssef repetiu que quem fez a entrega foi o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca. Sobre o depoimento de Careca, que implicou Cunha e Antonio Anastasia (PSDB), o doleiro disse não saber se é verdade. “Não tenho ideia. Não sei se ele inventou nomes, porque quem foi ao endereço foi ele”.

Youssef foi confrontado pelo deputado Ivan Valente (PSOL), que disse que o doleiro não estava sendo verdadeiro. Valente argumentou não ser possível ele lembrar de nomes de quem teria recebido pelo PT, citando a cunhada de João Vaccari, Marice, e não lembrar o nome do recipiente na casa de Cunha. “Deputado, alguns eu lembro, outros não lembro”, respondeu Youssef.

Youssef disse não conhecer pessoalmente Cunha nem ter repassado diretamente recursos. O doleiro disse também não conhecer ou ter feito repasses diretamente ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Ele, contudo, disse ter feito repasses para Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, que seria o operador do PMDB no esquema.

O doleiro reafirmou com maior certeza repasses destinados a lideranças pepistas, como o ex-ministro Mário Negromonte, o senador Ciro Nogueira e o deputado Aguinaldo Ribeiro.

Nesta semana, integrantes da CPI da Petrobrás estão em Curitiba para realizar oitivas com 13 presos da Lava Jato. Estão previstos para esta segunda ainda os depoimentos do ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, e o empresário Fernando Soares, o Fernando Baiano. Nesta terça, são aguardados os ex-deputados André Vargas e Luiz Argolo.

Fonte: Estadão

Graça Foster: Esquema de corrupção se formou fora da Petrobras

Ex-presidente da Petrobras falou à CPI. Foto: Veja

Ex-presidente da Petrobras falou à CPI. Foto: Veja

A ex-presidente da Petrobras Graça Foster afirmou nesta quarta-feira que o esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato da Polícia Federal foi montado “fora” da estatal. Ela presta depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara que apura os desvios na empresa.

Em sua fala inicial e em resposta às indagações do relator da CPI, o petista Luiz Sérgio (RJ), Graça Foster disse que as auditorias externas contratadas pela estatal não detectaram o funcionamento do esquema de corrupção até que a própria Justiça passou a investigar o caso. Por isso, segundo ela, não é possível dizer que os desvios começaram dentro da companhia. “O esquema de corrupção, no meu entendimento, com os dados que tenho hoje, se formou fora da Petrobras”, disse ela.

Graça Foster afirmou ainda que afirmou ainda que o sistema interno de detecção de irregularidades é eficiente: “A gestão interna da Petrobras é suficientemente boa”.

Contradições – Quando depôs à CPI anterior que investigou os desvios na Petrobras, em junho do ano passado, a ex-presidente disse que a empresa não chegou a detectar o pagamento de propina pela SBM Offshore a funcionários da empresa brasileira. Em novembro, entretanto, ela admitiu que já em maio havia sido informada do caso pela própria SBM. Graça Foster negou ter mentido: “Eu li milhões de vezes e não entendi que tivesse mentido”, disse ela. No entanto, desculpou-se: “Peço desculpas por não ter sido tão clara quanto eu deveria ser”.

A ex-presidente afirmou ainda que, “olhando agora”, a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, “não foi um bom negócio”. A transação gerou perdas de mais de 659 milhões de dólares à Petrobras.

Graça Foster também disse não compreender a afirmação do ex-gerente Pedro Barusco, que confessou ter recebido propina “por iniciativa pessoal” desde 1997 e que até 2003 não tinha notícia da participação de outros servidores em atos de corrupção. “Eu não consigo imaginar como pode ser verdadeira a fala do Barusco, que ele sozinho recebia propina. Eu não consigo entender isso de forma alguma.”

Balanço – Graça Foster foi questionada sobre o balanço de 2014, que detectou prejuízos de 88 bilhões de reais. Ela dise que o cálculo inclui não só a corrupção, mas também fatores como a ineficiência e até perdas geradas pela chuva. A ex-presidente negou que Dilma Rousseff tenha pedido que o valor fosse acobertado.

Em seu depoimento, Graça Foster ainda negou ter transferido a então gerente Venina Velosa para Singapura. Em 2009, Venina chegou a avisar Graça Foster, que era diretoria de Gás e Energia, sobre irregularidades em contratos da estatal. A ex-presidente disse à CPI que entregou as informações ao então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa – que depois se tornaria réu confesso nas investigações da Lava Jato.

“Ela teve o cargo que pediu para ter e foi ser uma técnica bastante bem remunerada. Eu não sei como a Venina tinha informações durante tanto tempo e não as passou para o presidente da Petrobras, para mim, e só decidiu fazê-lo depois que teve a comissão interna de apuração”, afirmou.

Fonte: Veja

Gabrielli: Era ‘impossível’ detectar desvios na Petrobras

Ex-presidente da Petrobras depõe na CPI que investiga denúncias de irregularidades na estatal. Foto: Divulgação.

Ex-presidente da Petrobras depõe na CPI que investiga denúncias de irregularidades na estatal. Foto: Divulgação.

Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli afirmou nesta quinta-feira (12) que não era possível detectar o esquema de corrupção desvendado pela Operação Lava Jato. Ele justificou que isso era “impossível” pelo grande volume de recursos movimentados em contratos da estatal e pela forma de ação dos responsáveis diretos pelos desvios.

— É impossível identificar esse tipo de comportamento internamente. Isso é um caso de polícia— afirmou aos parlamentares. Ele argumentou que, apesar dos desvios, os contratos onde havia pagamento de propina tinham valores dentro dos parâmetros da estatal.

Gabrielli é o segundo depoente convocado pela CPI para falar sobre o petrolão. O primeiro foi o ex-gerente de Serviços Pedro Barusco, que falou aos parlamentares na terça-feira. Além deles, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi ouvido nesta quinta-feira (aqui) porque se voluntariou a comparecer.

Quando o relator Luiz Sérgio (PT-RJ) perguntou sobre as indicações políticas para diretorias da Petrobras, Gabrielli foi evasivo: disse apenas que o governo tem seus “próprios critérios”. O depoimento de Gabrielli, que presidiu a Petrobras entre 2005 e 2012, começou por volta das 14h30 e segue em andamento.

Gabrielli também afirmou que a elevação no preço da refinaria pernambucana de Abreu e Lima, tratada como superfaturamento de mais de 600 milhões de reais pelo Tribunal de Contas da União (TCU), é efeito de três fatores: a alta do dólar, uma revisão no projeto inicial e a falta de infraestrutura adequada na região da refinaria.

O relator Luiz Sérgio (PT-RJ) evitou perguntas mais específicas sobre os casos de corrupção. Gabrielli, por sua vez, fez uso de respostas longas, o que irritou a oposição. “Estamos assistindo a uma palestra sobre petróleo”, reclamou o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT).

Quando os demais parlamentares passaram a fazer perguntas, Gabrielli admitiu que partiu da estatal a indicação de Pedro Barusco para uma diretoria da Sete Brasil, empresa construtora de sondas que tinha 5% de participação acionária da Petrobras. Na Sete, Barusco manteve seu esquema de cobrança de propina em parceria com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Gabrielli já afirmou, em entrevista ao Jornal Nacional, que a indicação não partia da Petrobras. Agora, reconhece: “Foi um equívoco”. De acordo com ele, a indicação foi feita pela diretoria da estatal. Ainda assim, o ex-presidente diz que a decisão não passou por ele. “Não é uma indicação pessoal minha”.

José Sérgio Gabrielli provocou risos no plenário da CPI ao dizer que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que deixou um prejuízo de mais de um bilhão de dólares, foi um bom negócio: “Com certeza. Não tenho dúvida quanto a isso”.

Fonte: Veja

Clarissa Garotinho questiona declarações de Cunha

Deputada criticou a postura de parlamentares que elogiaram o presidente da Câmara. Reprodução/Facebook

Deputada criticou a postura de parlamentares que elogiaram o presidente da Câmara. Reprodução/Facebook

O depoimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na CPI da Petrobras, para tentar esclarecer as acusações de que teria recebido dinheiro de propina do esquema na petroleira (aqui), virou um grande ato de desagravo a ele, protagonizado por quase todos os partidos. Quem questionou Cunha foi a deputada federal Clarissa Garotinho (PR-RJ).

— Trata-se de uma reunião vergonhosa essa. Porque trata-se de uma reunião de felicitação. E eu achava que estava em uma reunião de CPI. Quantas vezes e onde o senhor esteve com Youssef? Por que razão Youssef esteve com o senhor? Quantas vezes esteve com Fernando Soares, em quais circunstâncias? Qual é a relação do senhor com o doleiro Funaro? — indagou a parlamentar fluminense.

Já pela manhã, a deputada postou em seu perfil oficial no Facebook (aqiu) que partiria para o “enfrentamento”. “Muitas coisas precisam ser esclarecidas em relação ao envolvimento do seu nome no escândalo da Estatal. Preparei algumas perguntas e espero fazê-las”, escreveu Clarissa.

Na defesa de Cunha, as disputas políticas foram deixadas de lado, e o que se viu foi a união entre o PSDB e o PT na alternância de elogios ao presidente da Câmara. Os dois lados, no entanto, têm objetivos diferentes: o PSDB, por meio do discurso de seu líder, Carlos Sampaio (SP), procurou desacreditar a delação premiada do ex-policial Jayme Oliveira Filho que acusou Cunha e o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) de receberem dinheiro do esquema de fraudes. Já o líder do PT, Sibá Machado (AC), ao elogiar Cunha procura desanuviar o ambiente tenso entre ele e o Planalto.

Com informações do jornal O Globo.

Eduardo Cunha diz que MP escolheu a quem investigar

Presidente da Câmara Federal falou nesta quinta-feira à CPI da Petrobras. Foto: Agência Brasil

Presidente da Câmara Federal falou nesta quinta-feira à CPI da Petrobras. Foto: Agência Brasil

O presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou em depoimento à CPI da Petrobras nesta quinta-feira (12) que o Ministério Público Federal escolheu a quem investigar, não adotou um critério único para arquivar ou pedir inquérito e teve motivação política ao elaborar a listagem enviada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), a chamada “lista de Janot”. Cunha depõe em sala lotada por aliados e, antes de iniciar sua fala, foi saudado pelo relator da comissão, Luiz Sérgio (PT-RJ), com elogios à sua postura de depor antes de ser convocado.

— O Ministério Público escolheu a quem investigar. Não investigou todos. Não teve critério único e por motivações de natureza política escolheu os alvos de investigação — afirmou o presidente da Câmara.

Em depoimento, o presidente da Câmara voltou a atribuir a inclusão de seu nome na lista como uma forma de transferir a crise política do Palácio do Planalto para o Congresso Nacional.  “O pedido de abertura de inquérito constrange, sobretudo quem está no comando de um Poder. O que se quis foi transferir a crise do outro lado da rua para cá. Não vamos aceitar isso”, disse Cunha, observando que ele apoiou, desde o início, a instalação da CPI da Petrobras.

Cunha voltou a citar o arquivamento do caso do senador Delcídio Amaral (PT-MS) como exemplo da “incoerência” do procurador-geral Rodrigo Janot. Para o presidente da Câmara, o embasamento do arquivamento confrontado com a abertura do pedido de inquérito contra ele é uma “verdadeira vergonha”.

Na tarde desta quinta-feira, o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli faz o seu depoimento na CPI da Petrobras.

Fonte: O Globo.

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