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	<title>Em cada canto um conto... &#187; acabou</title>
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		<title>Acabou</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 10:37:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>candida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Cândida Albernaz O sol forte provocava uma claridade que quase ofuscava. As folhas das árvores permaneciam paradas. Vento, nem pensar.  Ela parecia não ver ou sentir esse calor. Sentada sob a pequena árvore, olhava o asfalto que beirava a estrada.  Um caminhão acabara de parar e o motorista fazia sinal para que subisse. Ouvia <span style="color:#777"> &#8594; : <a href="http://fmanha.com.br/blogs/cantoumconto/2010/02/11/acabou/">Leia mais</a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cândida Albernaz<br />
O sol forte provocava uma claridade que quase ofuscava. As folhas das árvores permaneciam paradas. Vento, nem pensar.<br />
 Ela parecia não ver ou sentir esse calor. Sentada sob a pequena árvore, olhava o asfalto que beirava a estrada.<br />
 Um caminhão acabara de parar e o motorista fazia sinal para que subisse. Ouvia o que ele dizia, mas não o olhava. Depois de insistir por algum tempo, desistiu. Foi embora gritando palavrões. Não se sentia ofendida. Era o terceiro que parava chamando-a. Pensavam que era uma dessas garotas de estrada.<br />
 Sentara ali por acaso. Cansara de caminhar.<br />
 Saiu de casa vestida como estava. Usava um short jeans e uma camiseta laranja. Os papéis que antes tinha nas mãos, agora estavam espalhados à sua volta.<br />
 Andara um bocado, só agora percebia. A roupa ainda estava úmida, mas o cabelo quase seco.<br />
 Colocou a cabeça entre os joelhos e começou a chorar. Não teria como apagar tudo o que aconteceu. Foi feito. Não fazia idéia de quanto tempo estava ali.<br />
 Tinha que voltar.<br />
 Outro carro diminuiu a marcha e quase parou. Levantou-se e deu as costas começando o caminho de volta. Sabia o que a esperava, mas nunca fora mulher de fugir de suas responsabilidades.<br />
 A casa para onde se dirigia era grande, com uma enorme varanda onde o vento parecia brincar. Duas redes ocupavam espaço de destaque. Costumava se deitar ali à noite, com a filha ao lado para que dormisse. Contava histórias inventadas na hora que a menina adorava ouvir.<br />
 A patroa sempre a tratou bem, o marido dela, nem tanto. Era um homem ríspido, acostumado a dar ordens. Procurava obedecê-lo e evitá-lo.<br />
 Quando foi morar na fazenda, sua filha estava com dois anos. Ia fazer seis no próximo mês. Estava sozinha e precisava alimentá-la. O pai, um caminhoneiro com família em outro estado, o que veio a descobrir depois, sumiu quando soube da gravidez. A cidade pequena em que vivia, pareceu ficar menor ainda. Não a queriam. Seu pai, principalmente. Costumava repetir que ela não era mais sua filha, que o matara de vergonha, que sumisse dali com aquela bastardinha.<br />
 Dona Ana ofereceu o emprego de faz-quase-tudo-o que-for-preciso e ela aceitou. Disse que a menina não seria problema, porque espaço era o que não faltava.<br />
 Agora teria que olhar a patroa de frente. Ela já devia ter encontrado o marido no chão da cozinha.<br />
 Pela manhã, estava arrumando o quarto dos dois, quando um barulho oco, na gaveta de cabeceira do patrão chamou sua atenção.<br />
 Todos os dias catava o que encontrava espalhado e guardava dentro dos armários e gavetas.<br />
 Ficou curiosa com o barulho e forçou o pequeno fundo. Escorregaram dali uns papéis que se apressou em pegar para colocar de volta. Eram fotografias. Nelas, viu sua filha&#8230; e aquele homem. Em algumas, não vestia nada e fazia pose de mulher adulta. Em outras ele e ela juntos. Homem e mulher. Sua menininha com o rosto assustado e triste. Soltou um gemido e foi até a cozinha. Ele estava sentado tomando o café que preparara mais cedo.<br />
 O facão em cima da pia. As costas voltadas para ela. A força que não imaginava ter. Não se recorda quantas vezes repetiu o movimento.<br />
 Quando saiu ele estava caído no chão. Foi até o banheiro e entrou no chuveiro. Sangue escorria de sua roupa, fazendo com que a cerâmica branca ficasse vermelha.<br />
 Voltou ao quarto, pegou as fotos e saiu andando. Lembrou-se que as deixou espalhadas na beira da estrada.<br />
 Sua garota chegaria mais tarde. A patroa foi levá-la para a escola.<br />
 Precisava trocar de roupa e ir até ela. Antes que viessem buscá-la. Tinha que olhar nos olhos da filha, fazê-la entender que acabou.</p>
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