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	<title>Em cada canto um conto... &#187; dna</title>
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		<title>Para sempre</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 22:25:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>candida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Para sempre         Cândida Albernaz</p> <p> As fotos estavam espalhadas pela mesa. A risada solta em algumas delas, fez com que risse também. Passou os dedos sobre uma e outra. Na verdade, o que queria era sentir o contato da pele e o aperto do abraço.  O resultado do exame saiu há uma semana. Foi comprovado. <span style="color:#777"> &#8594; : <a href="http://fmanha.com.br/blogs/cantoumconto/2010/04/01/para-sempre/">Leia mais</a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para sempre<br />
        Cândida Albernaz</p>
<p> As fotos estavam espalhadas pela mesa. A risada solta em algumas delas, fez com que risse também. Passou os dedos sobre uma e outra. Na verdade, o que queria era sentir o contato da pele e o aperto do abraço.<br />
 O resultado do exame saiu há uma semana. Foi comprovado. E então¿ Continuou com a mesma sensação de vazio. Não mudava o que sentia.<br />
 Há vinte anos casara e permanecera assim por quatro. A mesma idade que a filha tinha quando decidiu sair de casa.<br />
 A mulher fora clara com ele. Não o amava e a filha que cuidara poderia ser ou não sua. A sensação que teve foi de morte. O corpo parecia perder o sustento e pensou que fosse cair. Não sabe quanto tempo permaneceu parado, e quando notou, a mulher não estava mais ali. Foi até o quarto da menina que ainda dormia. Sempre achou que se pareciam. Os lábios finos, o corpo comprido e a cor dos cabelos. Como os seus quando  era criança.<br />
 Colocou algumas roupas dentro de uma bolsa e foi para a casa dos pais. A menina apareceu lá alguns dias depois e abraçaram-se com força. Ela pediu que voltasse, não podia. A mulher o olhava enquanto os dois conversavam. Mal conseguia ficar no mesmo ambiente que ela. Pediu que fosse embora e deixasse a filha com ele, mais tarde a levaria para casa. Não. A garota tinha escola, quem sabe amanhã.<br />
 Separaram-se e passou a ver a filha em finais de semana alternados.<br />
 O homem com quem sua ex-mulher casou-se decidiu morar em Miami. Tinha negócios lá e precisava estar por perto. Com uma autorização judicial levaram a menina com eles.<br />
 Via a filha uma ou duas vezes por ano durante os cinco que ficaram fora.<br />
 O cara quebrou, e resolveram voltar. Decidiu procurar a ex-mulher e perguntar quem era o pai da menina. Quem mais além dele&#8230;<br />
 Ela afirmou que poderia ser o atual marido, vizinho do casal na época. Sempre mantivera aquele relacionamento.<br />
 Pediu para ver a filha. Chegaria mais tarde. Avisou a mulher que faria um exame de DNA. Riu dele. Para quê¿ Não gostava da garota¿ Não deu explicação, apenas queria.<br />
 Voltou a vê-la sempre. Costumavam sair juntos, brincar e conversar. Adiou a decisão.<br />
 A foto que tinha nas mãos trouxe uma tarde em que saíram com uma amiga dela. Depois do cinema andaram até a praça em frente onde havia um pequeno lago e ele subiu no parapeito que o margeava chamando as duas. Ela olhou de um lado para o outro pedindo que descesse, pois chamariam sua atenção. Andou ali em cima e insistiu para que subissem. As duas resolveram segui-lo. Como num trenzinho, um com as mãos na cintura do outro, deram a volta rindo.<br />
 Quando o segurança se aproximou, correram como crianças. Chamou-o de pai louco, era o único que conhecia que fazia brincadeiras daquele tipo, os de seus amigos eram sérios.<br />
 Alguns dias depois quando almoçava num restaurante, os três juntos entraram. A filha veio falar com ele. Dali em diante, não conseguiu comer mais nada.<br />
 Os olhos dela eram redondos como os daquele homem¿ Pareceu que ela movimentava as mãos enquanto falava da mesma forma que ele¿ E o sorriso¿ Achava que a boca era como a sua. Mas a risada&#8230;<br />
 Avisou que queria o exame. Todo o procedimento necessário foi feito. Na última vez em que se encontraram a garota chorou e ele também. Pediu que desistisse, não era capaz. Estava sem dormir direito, vivendo pela metade. Ela não entendeu e deixou de querer vê-lo.<br />
 O resultado saiu há três meses. Muito mais do que isso não via a filha que agora morava numa outra cidade com a mãe e aquele sujeito.<br />
 Ligou para ela e tentou dizer que precisava encontrá-la. Antes que terminasse de falar, ouviu o sinal do telefone sendo desligado.<br />
 Escreveu e recebeu a carta de volta, intacta.<br />
 Foi até lá, não estava e não voltaria nos próximos dias. Viajou com os avós.<br />
 Pegou mais uma vez o papel onde estava impresso o resultado.<br />
 Não era sua filha.<br />
 Seria sua filha para sempre.</p>
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