Apesar dos muitos produtores diferentes, Me Against The World possui uma sofisticação fluida. Não só é o melhor álbum de 2Pac como também é um dos mais bonitos e comoventes discos de hip-hop da história.
Metido em encrencas desde que se consagrou com o grupo funky Digital Underground, 2Pac já tinha atirado em um policial, brigado com cineastas, levado tiros e havia sido acusado de abusos sexuais. A última acusação fez com que ficasse preso durante oito meses, transformando-o no primeiro artista a alcançar o primeiro lugar nos Estados Unidos enquanto estava na cadeia.
Esse rastro de destruição obscureceu a sua maturidade musical. 2Pacalypse Now (1991) e Strictly For My N.I.G.G.A.Z. (1993) são misturas remendadas de funk, no estilo do Digital Underground, com rap hardcore. Mas o surgimento do G-funk (o gênero adequado às rádios que Dr. Dre criou) fez milagres: fã dwe Stevie Wonder, 2Pac tinha preferência por sons mais suaves.
Thug Life Vol. 1 (1994) ‘
e uma fusão espetacular de samples soul e rimas mais soltas, e Me Against The World completa essa fusão – sobretudo em “Dear Mama”, uma balada comovente que 2Pac queria deixar de fora do disco.
Também encontramos a deliciosa “Old School”, uma homenagem a todos os rappers de Nova York que 2Pac citou em sua defesa quando eclodiu a guerra (musical) entre a Costa Leste e a Oeste. A paranoia que atrapalha os seus últimos trabalhos ficou restrita a poucas faixas deste álbum, mais especificamente à aterradora “Death Around The Corner”.
Uma vez fora da prisão, 2Pac vendeu a sua alma ao Death Row e começou a produzir uma série de álbuns algumas vezes bons, outras não. É aqui, contudo, que encontramos seu melhor momento.






