Será que puseram alguma coisa na água de Manchester? Apesar de sua reputação não fundamentada de ser sombria, a cidade britânica foi berço de incontáveis bandas que definiram o tom de suas respectivas épocas e influenciaram intensamente outros grupos. No mundo da dance music, o 808 State (nome de uma bateria eletrônica famosa da Roland) foi uma das bandas mais importantes da cena rave emergente. A primeira formação contava com Martin Price, Graham Massey e Gerald Simpson. Mais tarde surgiram Andrew Barker e Darren Partington, que substituiu Simpson quando este saiu para iniciar uma carreira solo como A Guy Called Gerald.
808:90 é o terceiro álbum do 808 State e tornou-se um dos primeiros discos puramente de dance a entrar nas paradas da Inglaterra. Combinando a sonoridade eletrônica crua da música rave com um elegante sentido de estrutura, melodia e clima, 808:90 destila, talvez pela primeira vez em um LP completo, o ambiente de uma subcultura poderosa e singular. As principais faixas deste álbum são “Cubik” (só na edição norte-americana) e “Pacific 202″ – esta chegou ao Top 10 britânico e continua a ser um hino sentimental para a primeira geração rave. O conteúdo emocional de “Pacific 202″, com sua inesquecível melodia de saxofone, continua soando tão poderoso e inspirador como sempre. “Cubik” era mais coltada para as pistas, com a força brutal de seu riff tecno imediatamente reconhecível e os breakbeats incessantes que ainda soam tão poderosos quanto na época. O álbum seguinte, Ex:el, foi o maior sucesso de vendas do grupo, mas foi 808:90 que deu à geração acid house o reconhecimento artístico que lhe faltava.






