Para os músicos que antes eram integrantes de bandas de sucesso, gravar e lançar um álbum solo é como ter que passar pelo difícil início mais uma vez. Os críticos e os ouvinte se perguntam se os sucessos anteriores foram devidos a qualquer tipo de fatores externos: o timing certo, as influências de outras pessoas ou a pura sorte.
Aimee Mann triunfou no final dos anos 80 com a banda ‘Til Tuesday. Como vocalista e baixista da banda de Boston, foi a voz e a cara que estiveram por detrás do sucesso de “Voices Carry” e dos singles “What About Love?” e “Coming Up Close”. Mas como ela se sairia sem uma banda?
Whatever é importante por dois motivos. Reforçou a posição de Mann como uma exímia compositora cuja habilidade estava à altura de seu estilo urbano de cantar e consagrou o multi-instrumentista e antigo membro da banda ‘Til Tuesday, Jon Brion, como um produtor competente que, mais tarde, iria trabalhar com David Byrne (ex-Talking Heads), além de Fiona Apple e Rufus Wainwright.
Repleto de canções inteligentes mas nunca pedantes, Whatever apresenta uma artista já madura, com um instinto natural para as harmonias. “Fifty years After The Fair” possui guitarras harmoniosas e backing vocals fluidos, suavemente complementados por floreios do doce glockenspiel de Brion, enquanto o tom sombrio de “Jacob Marley’s Chain” é curiosamente sobrepujado pela percussão militar que o impulsiona como uma marcha.



