Poucas vezes o som e a imagem se uniram tão graciosamente como na trilha sonora do Air para o primeiro filme de Sofia Coppola como diretora. A sinergia entre as imagens que narram a história trágica de cinco irmãs sem razões para viver e a hipnótica e dramática música eletrônica do duo francês é tão perfeita que fica impossível imaginar a existência de uma sem a outra.
Há uma cena no filme em que um médico pergunta a uma garota de 13 anos porque queria cometer suicídio. Ela responde: “Obviamente, o senhor nunca foi uma garota de 13 anos”. Na verdade, a motivação para os suicídios das irmãs não é explicada claramente e é nesse mistério, no centro do filme, que a trilha sonora do Air vai buscar sua inspiração. Embora algumas das faixas se sustentem como músicas individuais, especialmente “Playground Love”, The Virgin Suicides é na realidade uma suíte amarga. As pungentes melodias aparecem e reaparecem de formas sutilmente diferentes. O álbum, que lembra a sofisticação das colaborações de Angelo Badalamenti com David Lynch e o romantismo lascivo de Serge Gainsberg, incorpora a atmosfera de um clube de jazz em “Playground Love” (é ainda mais triste em sua faixa gêmea “Highschool Lover”), órgãos de igreja e uma guitarra no estilo de David Gilmour em “bathroom Girl” (a influ6encia do Pink Floyd dos anos 70 permeia o álbum) e um pop hipnótico em tom menor em “Cemetary Party”. Os sintetizadores retrô estão presentes em toda parte.
Nicholas Godin e Jean-Benoit Dunckel superaram a sua estreia com Moon Safari e elevaram tanto o nivel que não conseguiram voltar a alcançá-lo (Talkie Walkie, de 2004, chegou perto). Um dos mais brilhantes réquiens da história do pop.














