Jornalistas preguiçosos catalogaram Jagged Little Pill como “rock terapêutico” quando foi lançado em 1995, em grande parte devido à forma ácida como Alanis Morissette aborda confessionalmente as suas relações com antigos namorados (a frase mais famosa talvez seja “Are you thinking of me when you fuck her?” – “Você fica pensando em mim quando transa com ela?” – em “You Oughta Know”). Mas essa é somente uma visão superficial: o primeiro disco “de verdade” de Alanis – a cantora e compositora canadensa já tinha composto um pop ingênuo e semi-religioso anteriormente – era um álbum de rock profundamente interessante, com músicas duras mas nunca pretensiosas, apresentando ganchos líricos e composições fabulosas. O single “Ironic” é o ponto alto do álbum, com os versos espertamente auto-inconscientes de Alanis refletindo sua ironia – ou, ironicamente, não, como ela foi forçada a explicar mais de uma vez ao longo dos anos. Por outro lado, músicas como “Perfect” e “You Learn” (esta última sendo o mais próximo que há de “terapêutico” nesse trabalho) se concentram em sutilezas e não em impressionar os ouvintes. Há também muitos fogos de artifício por conta da presença de Flea e Dave Navarro, na época, do Red Hot Chili Peppers, em “You Oughta Know”, conferindo atitude e energia ao som que, no geral, é melódico – cortesia do coprodutor, coautor e mentor emocional de Alanis, Glen Ballard.
Jagged Little Pill soa um pouco datado após mais de 15 anos de seu lançamento, devido ao grande número de cantoras femininas que seguiram as pegadas de Alanis Morissette – Ani DiFranco, Jewel e Avril Lavigne, por exemplo. Mas é exatamente esse impacto do disco sobre o rock feito por mulheres que torna sua menção obrigatória, assim como as grandes músicas que ele contém.





