Tendo levado dois anos e meio para ser criada, esta obra-prima vinda de Mali foi terminada poucas semanas antes da morte do artista, após uma longa batalha contra um câncer nos ossos. Atualmente tido como o melhor álbum de um rico catálogo, Savane ajudou a obter reconhecimento mundial para o filho p’rodigo de Mali – recebeu postumamente a maior honraria do seu país, Commandeur de L’Ordre National du Mali, e mereceu um funeral oficial. Uma grande despedida para um artista que acreditava que ser fazendeiro era a sua principal função na vida.
Com o ngoni (um alaúde tradicional africano e provável precursor do banjo) colocado à frente de instrumentos tradicionais de percussão, o som é definitivamente baseado no folk de Mali, mas o acréscimo eventual de guitarra, gaita e rabeca também lembra o blues original de Son House e Robert Johnson. Misturar as duas tradições interrelacionadas é a chave do som único deste disco.
Há também influências sutis de country, reggae e até mesmo flamenco no mix, no centro do qual se encontra a voz profunda e rica de Touré, cantando em francês e em diversos dialetos regionais. “Savane” é uma ode às savanas atingidas pela seca em seu país, cantando a jornada de um homem que trocou a savana pela Europa urbana e que ansiava por seu regresso.
Numa época em que as paradas de sucessos estão preenchidas por artistas cujo principal problema é o estresse de ter que lidar com suas vidas de superestrelas, não é preciso pensar muito para entender porque este celebração sincera da música e das raízes reluz de forma tão brilhante.




