Em 1968, Jimi Hendrix conheceu em Los Angeles Ananda Shankar, que, aos 26 anos, tocava cítara e era dono de uma sólia formação clássica. Depois de improvisarem juntos durante alguns dias, Hendrix convidou Ananda para gravar um disco com ele.
“Passei três noites sem dormir”, contou Ananda. “Mas acabei concluindo que, dessa forma, não estaria tocando a minha música. Assim, decidi gravar um disco sozinho”. O resultado foi o melhor exemplo de um microestilo que poderia ser chamado de “sitar rock” – outros representantes desse gênero eram o Pandit Harihar Rao, radicado na Califórnia, o músico de estúdio “Big” Jim Sullivan e o misterioso “Lord Sitar” -, em que a cítara funciona como um exótico instrumento principal do rock-chiclete.
Nenhum deles, porém, fez tanto sucesso quanto Ananda Shankar, sobrinho do mito da cítara Ravi Shankar e filho do bailarino hindustâni Uday Shankar. As releituras, turbinadas no sintetizador Moog, de “Jumping Jack Flash” e “Light My Fire” embalam as pistas de dança até hoje. “Snow Flower” e “Mamata” criam um ambiente pop, enquanto “Metamorphosis” entra num território mais funk. O lado B põe ênfase na música indiana, com o épico de raga-rock “Sagar”, que dura 13 minutos, e “Raghupati”, baseada num cântico.
Os discos posteriores de Ananda Shankar, como Streets Of Calcutta e Dancing Drums, ambos de 1975, foram gravados por diferentes selos, em transações que envolveram grandes somas de dinheiro. Os atributos exóticos e únicos de Shankar levaram Sam Zaman, o DJ londrino State Of Bengal, a convencê-lo a sair de seu estilo reservado para fazer uma turnê e gravar um disco com ele. Quando morreu prematuramente, em 2000, gozava de enorme fama e sua música fusion tinha sido adotada por toda uma geração de asiático-britânicos.



