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“Aretha: Lady Soul” de Aretha Franklin

Filha do cantor de gospel C. L. Franklin, ela tinha pedigree. Mas só ao ser contratada pela Atlantic Records, depois de 12 anos de carreira, Aretha Franklin foi coroada como Lady Soul. Sua antiga gravadora, a Columbia, queria que ela cantasse um pop insosso, mas Jerry Wexler, produtor da Atlantic, combinou sua voz poderosa com o Muscle Shoals Sound Rhythm Section, de Memphis, e o soul radioso da cantora foi posto em liberdade.

Lady Soul foi o terceiro álbum deles juntos, e o melhor de todos. Aretha havia ficado mais segura desde a estreia na Atlantic com I Never Loved A Man The Way I Love You, e seu disco seguinte, Aretha Arrives, mais eclético, destacou a força de seu talento. Lady Soul aciona essa força ao exibir a dupla paixão da cantora pelo R&B – “Chain Of Fools”, de Don Covay, um hino contra a cretinice, e “Since You’ve Been Gone”, em que as cantoras do The Sweet Inspirations fazem um coro furioso contra o namorado ausente do título – e pelo gospel (a gravação orquestrada de “People Get Ready”, de Curtis Mayfield, arranjada por Arif Martin).

Ao mesmo tempo que o solo de Eric Clapton no blues “Good To Me As I Am To You” é uma aproximação com o rock ‘n’ roll da época, Lady Soul canta os mestres do gênero (Mayfield, James Brown, Ray Charles) com talento e autoridade. “A Natural Woman” é o destaque: a peregrinação dos músicos do Muscle Shoals aos estúdios da Atlantic, em Nova York, para três sessões de gravação espelha a própria jornada de Aretha, imbuindo a rica canção de Carole King e Gerry Goffin da honestidade e paixão que a cantora adquiriu em Memphis e dando a ela a chance de mostrar sua verdadeira voz.

Chain Of Fools: YouTube Preview Image

Since You’ve Been Gone: YouTube Preview Image

A Natural Woman: YouTube Preview Image

“I Never Loved A Man The Way I Love You” de Aretha Franklin

Todo mundo apontava Aretha como a rainha do soul, embora seu caminho para o trono tenha sido cheio de obstáculos. Antes de assinar com a Atlantic, em 1966, ela passou seis anos – e nove discos – com a Columbia, que inibiu seu talento inato para o soul e a transformou numa cantora de standards de clubes de jazz.

Libertada dessas correntes por Jerry Wexler, da Atlantic, Franklin viajou para o Fame Studio, em Muscle Shoals, Alabama, em fevereiro de 1967. Mas o marido e empresário de Aretha, Ted White, teve um desentendimento com um dos integrantes da banda de apoio, composta só por brancos, quando apenas uma canção e meia estava gravada. As sessões foram rapidamente transferidas para os estúdios da Atlantic em Nova York.

Aretha, que compôs quatro faixas e acompanhou-se ao piano no disco, resistiu à tendência dos artistas de blues de só cantarem músicas escritas e arranjadas pelos estúdios. Seu jeito de tocar piano foi comparado ao de Ray Charles e tornou-se a base em cima da qual todas as faixas foram construídas.

O disco abre com uma versão de “Respect”, de Otis Redding, subvertida em um hino feminista. “A Change Is Gonna Come”, um clássico de Sam Cooke sobre a luta pelos direitos civis, foi igualmente revista – a briga foi comprada pela própria Aretha. “Dr. Feelgood” mostra uma mulher incrivelmente segura, imbuída de uma sexualidade raramente ouvida antes numa artista negra.

Livre das amarras da Columbia, Aretha logo assumiu a realeza do soul tanto por sua poderosa expressão de sentimentos como pelo sentimento, em si, embutido nas canções. Ninguém ouve este disco extraordinário sem se emocionar.

Respect: YouTube Preview Image

Dr. Feelgood: YouTube Preview Image

I Never Loved A Man (The Way I Love You): YouTube Preview Image

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