Filha do cantor de gospel C. L. Franklin, ela tinha pedigree. Mas só ao ser contratada pela Atlantic Records, depois de 12 anos de carreira, Aretha Franklin foi coroada como Lady Soul. Sua antiga gravadora, a Columbia, queria que ela cantasse um pop insosso, mas Jerry Wexler, produtor da Atlantic, combinou sua voz poderosa com o Muscle Shoals Sound Rhythm Section, de Memphis, e o soul radioso da cantora foi posto em liberdade.
Lady Soul foi o terceiro álbum deles juntos, e o melhor de todos. Aretha havia ficado mais segura desde a estreia na Atlantic com I Never Loved A Man The Way I Love You, e seu disco seguinte, Aretha Arrives, mais eclético, destacou a força de seu talento. Lady Soul aciona essa força ao exibir a dupla paixão da cantora pelo R&B – “Chain Of Fools”, de Don Covay, um hino contra a cretinice, e “Since You’ve Been Gone”, em que as cantoras do The Sweet Inspirations fazem um coro furioso contra o namorado ausente do título – e pelo gospel (a gravação orquestrada de “People Get Ready”, de Curtis Mayfield, arranjada por Arif Martin).
Ao mesmo tempo que o solo de Eric Clapton no blues “Good To Me As I Am To You” é uma aproximação com o rock ‘n’ roll da época, Lady Soul canta os mestres do gênero (Mayfield, James Brown, Ray Charles) com talento e autoridade. “A Natural Woman” é o destaque: a peregrinação dos músicos do Muscle Shoals aos estúdios da Atlantic, em Nova York, para três sessões de gravação espelha a própria jornada de Aretha, imbuindo a rica canção de Carole King e Gerry Goffin da honestidade e paixão que a cantora adquiriu em Memphis e dando a ela a chance de mostrar sua verdadeira voz.








