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“3 Years, 5 Months And 2 Days In The Life Of Arrested Development” do Arrested Development (1992)

Quando o álbum de estreia do Arrested Development foi lançado em 1992, o grupo de Atlanta parecia anunciar um novo despertar do hip-hop. Dava a sensação de terem criado um estilo de hip-hop sulista e rural que iria romper com a divisão Costa Leste/Costa Oeste.

Claro que não foi bem isso o que aconteceu. Quando o Dixie de fato surgiu, ele seguiu o estilo do “Dirty South” e usou influências do go-go pornográfico do 2 Live Crew, e não de grupos ditos politicamente corretos como o Arrested Development. O grupo separou-se em 1996, e o vocalista Todd Thomas, conhecido como Speech, continuou lançando discos simpáticos, mas essencialmente ignorados.

Seria contudo um crime não evidenciar a genialidade sutil deste álbum, cujo título se refere ao tempo que levaram para conseguir um contrato com uma gravadora. A música principal do álbum é o sucesso “Tennessee”, uma conversa meio falada, meio cantada com Deus que articula a dolorosa questão da escravidão de uma forma mais bela que qualquer outra faixa de hip-hop. Encontramos também um tributo aos sem-teto com a música “Mr. Wendal”, uma interpretação de “People Everyday”, de Sly Stone (inspirada no estilo do De La Soul e do Jungle Brothers) e “Mama’s Always On Stage”, uma interpretação sulista da música do Madness, “Our House”, no estilo soul.

As influências do grupo também vieram de outros artistas de Atlanta, tal como TLC, Cee-Lo Green, Goodie Mob e sobretudo Andre 3000 e Outkast. Mostraram que o hip-hop podia se inspirar em séculos de cultura musical negra e ainda assim olhar para o futuro.

Tennessee: YouTube Preview Image

Mr. Wendal: YouTube Preview Image

People Everyday: YouTube Preview Image

Mama’s Always On Stage: YouTube Preview Image

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