Era o ano em que o punk explodiu. O ano em que Star Wars estreou. O ano em que nasceram dois irlandeses na cidade de Downpatrick – Tim Wheeler e Mark Hamilton.
Sem dúvida alguma um dos álbuns de estreia mais marcantes dos anos 90, 1977 soube misturar de forma mágica a impulsividade e a aspereza da juventude com uma sensibilidade para um pop energético adequada à idade dos integrantes da banda. Com o baterista Rick McMurray, o trio irlandês (a segunda guitarrista, Charlotte Hatherley, só se juntaria a eles no ano seguinte) condensou e destilou os melhores elementos do pop, do punk e do rock com um senso irresistível de entusiasmo.
Surfando a onda do britpop dos anos 90 (particularmente evidente em músicas cheias de cordas como “Oh Yeah” e “Gone The Dream”), mas ao mesmo tempo muito mais individualista, 1977 começa com o famoso som de um Tie Fighter de Star Wars. “Kung Fu”, o primeiro single, cinematográfico e frenético, é uma homenagem de Wheeler a Jackie Chan e uma música que qualquer adolescente transformaria em hino pessoal, “Girl From Mars”, a primeira música da banda a alcançar o Top 20, e “Angel Interceptor” materializavam de forma perfeita as vibrações do pop espacial deste álbum.
Com um gosto quase ingênuo pelos excessos e exuberância juvenis – o melhor exemplo é a quase indizível faixa oculta, corretamente intitulada de “Sick Party” (“Festa Doentia”) -, 1977 anunciou a chegada de um dos grandes grupos po-rock da nova geração e também definiu a experiência musical de uma microgeração de jovens. Se você era adolescente quando este álbum saiu, provavelmente continua sendo parte de sua história de vida.








