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“Beach Samba” de Astrud Gilberto (1967)

Quem pode resistir a um disco que começa com “Stay… and we’ll make sex with music”, o convite que Astrud Gilberto faz na faixa de abertura de Beach Samba, lançado em 1967?

Ex-mulher de João Gilberto, Astrud tinha aberto caminho nas paradas cantando “The Girl From Ipanema”, na gravação de Stan Getz. Apesar da limitação de sua voz, entre 1963 e 1967 ela trabalhou sua maneira de cantar bem articulada de forma a criar um estilo sensual, e se tornou uma estilista com uma identidade vocal original.

Com a participação do produtor Creed Taylor e os arranjos de Eumir Deodato e Don Sebesky, Beach Samba apresenta um repertório variado de ritmos brasileiros traduzidos para o pop folk inglês e americano e filtrados pela bossa nova ou pelo samba.

“Stay” foi composta por Gayle Caldwell (que também escreveu o grande sucesso “Cycles” para Frank Sinatra), com arranjos de Deodato; a presença do flautista Hubert Laws nesta e em outras canções dá mais brilho às orquestrações. “Misty Roses”, de Tim Hardin, é a obra-prima de Sebesky, com trompas, cordas e harpas.

Astrud navega placidamente por todo o disco. É cool em “Canoeiro”, de Deodato, com a sua envolvente melodia sem palavras, enquanto em “You Didn’t Have To Be So Nice” ela canta em dueto com o filho Marcello, então com seis anos.

Não há arestas, apenas uma suave música do tipo easy listening, da qual Astrud é a estrela. Beach Samba mostra a marca indelével deixada por ela no mundo inteiro – aquela brasileira que canta como se estivesse ali do lado.

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