Damon Gough, também conhecido como Badly Drawn Boy, costuma deixar perplexos fãs e críticos basicamente por seguir suas intuições musicais. Em sua estreia com The Hour Of Bewilderbeast, o cantor de Manchester tentou criar um álbum conceitual baseado no percurso de um relacionamento. Seu posto na liderança do movimento new-folk no final do milênio comprovou ser totalmente merecido neste épico de 18 faixas.
Iniciando com o frescor e leveza da acústica “The Shining”, o tom muda para um folk inebriante (na sublime “Fall In A River”), depois para um rock repleto de riffs (“Another Pearl”), antes de terminar em resignação e louvor no hino “Epitaph”. Mesmo a música associada ao nome do disco, uma instrumental levemente inspirada no tema da série Banana Split, pode ser ouvida com emoção.
Avançando no álbum, encontramos alguns dos seus singles mais memoráveis: confira a introdução e o gancho com wah-wah de “Once Around The Block” ou ainda o toque disco em “Disillusion”. Tudo isto revestido com a inconfundível marca visual da Twisted Nerve, numa capa que detalha os elementos que formam o cerne da criatividade de Gough (incluindo discos, caixinhas de música, fotos de família e flores).
Na época da gravação, Gough citou Bruce Springsteen como influência-chave no seu trabalho. Parecia uma escolha meio fora de moda, mas com a passagem dos anos, à medida que o álbum amadureceu, a comparação mostrou ser acertada. Badly Drawn Boy é de fato um renegado e um heroi do folk.








