Desde os primeiros anos da indústria do cinema na Índia, os filmes hindus usam música do mundo inteiro – não apenas os temas folclóricos ou clássicos do país, mas também a ópera italiana, a polca alemã, a rumba cubana, o samba brasileiro, o bebop e o rock ‘n’ roll primitivo.
Ninguém se apropriou desses ritmos de forma tão criativa e inteligente como Rahul Dev Burman (1939-1994), o diretor musical que comandava as trilhas sonoras de Bollywood durante boa parte dos anos 60 e 70. Como o pai, o ilustre S. D. Burman, R. D. Burman era fão de jazz, mas também recebeu influências do funk, soul e rock psicodélico. Os argumentos dos filmes de Bollywood flertavam com temas jovens e espirituosos, e as trilhas de R. D. Burman seguiam os modismos, trazendo guitarras wah-wah, as batidas da Motown, percussão latina e os vocais coquetes de sua mulher, Asha Bhosle.
Shalimar é um de seus discos de referência dos anos 70. O álbum contém as wah-wah e os riffs de pedal de “Title Music”, o soul clássico e profundo de “Baby Let’s Dance Together”, a animada “One Two Cha Cha Cha” e as cordas e a cítara com tintas italianas de “Romantic Theme”. Asha Bhosle, parceira musical e de vida de Burman, empresta sua voz sedutora à épica “Mera Pyar Shalimar”.
Shalimar só está disponível num CD duplo, que traz também a trilha sonora de College Girl – outra notável de Bollywood -, composta pelo chamado “rei da música disco” da Índia, Bappi Lahiri. O público ocidental vai se divertir identificando as fontes que inspiraram Lahiri.





