Felix Buxton, filho de um vigário, e o ex-sem-teto Simon Ratcliffe surgiram na cena underground dos clubes de Brixton, no Sul de Londres, no final dos anos 90. Este par de DJs e produtores era porta-estandarte da facção antagonista da moda dos superclubes, na época responsável pelos sons mais interessantes da cultura dance inglesa. Preferiam dar agitadas festas nos salões de pubs cavernosos.
Mas primeiro houve Remedy. A estreia do Basement Jaxx é uma mistura emocionante de samba e sabores latinos, ritmos poderosos, vozes emotivas e clássicos pré-fabricados para arrasar as pistas de dança. Parece ter sido gravado no Rio, ou em Miami, ou em Paris, por um grupo internacional de veteranos exploradores sonoros. A verdade é que foi gravado num pequeno estúdio de Londres por dois brancos de classe média fanáticos por música.
Começa com os acordes de guitarra em estilo flamenco, vocais processados por vocoders e ritmos pneumáticos de “Rendez-Vu”, e a emoção não para em quase nenhum momento das 14 músicas posteriores. Até mesmo os quatro interlúdios relaxantes – “Jaxxalude”, “Jazzalude”, “Sneakalude” e “Gemilude” – são breves lampejos de criatividade, o som de uma rádio percorrendo várias frequências globais. Como demonstraram os sucessos “Red Alert” e “Bingo Bango”, é uma música despreocupada, colorida e alegre, como um parque de diversões em forma de disco.
Isso era o mais emocionante em Remedy e o que o tornava uma espécie rara: um álbum de dance que se beneficiava de várias audições.





