Bauhaus pode ser a banda gótica por excelência, mas o seu segundo álbum, Mask, demonstra que o quarteto britânico (Daniel Ash na guitarra, Peter Murphy nos vocais e os irmãos David J. Haskins no baixo e Kevin Haskins na bateria) estava se inspirando em um vasto leque de influências. Os sons eram mais duros e cortantes que no álbum de estreia, porém a introdução de melodias mais próximas do pop contribuiu para fazer de Mask um disco digerível pelo grande público – ficou entre os Top 40 da Inglaterra e mostrou um claro amadurecimento do som da banda.
Os ritmos quase primitivos de “Hair Of The Dog”, “Kick In The Eye” e “In Fear Of Fear” (que, como “Dancing”, trazem Ash no saxofone) compartilham uma atmosfera de dramaticidade dark com aquela que é, talvez, a melhor música da banda – “Of Lilies And Remains”, com sua introdução falada cheia de humor negro. Como continuação de seu bem-sucedido álbum de estreia, In The Flat Field, esse segundo disco foi um notável passo adiante e a confirmação de que cada um dos músicos tinha potencial para uma longa carreira artística – e, de fato, todos os membros seguiram carreiras solo brilhantes depois da dissolução do Bauhaus em 1983.
O Bauhaus sempre se definiu por uma teatralidade fria e crua, e Mask não foi exceção – da capa em preto-ebranco de Daniel Ash ao perfeito equilíbrio entre angústia e humor das eloquentes letras de Peter Murphy, passando pelas fortes luzes brancas de palco (“luzes coloridas são para árvores de Natal”, comentaram em seu site oficial). O Bauhaus da era Mask nunca precisou dos adereços do rock moderno, e este é um dos motivos pelos quais este disco manteve seu vigor.






