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“Ill Communication” do Beastie Boys (1994)

Em 1994, o grupo nova-iorquino Beastie Boys sabia como movimentar uma festa. Já tinham aperfeiçoado as suas habilidades musicais e domínio dos samplers nos álbuns Chek Your Head e Paul’s Boutique. O trio regressou ao estúdio com mais disposição para experimentar, produzindo um disco extremamente fiel às suas paixões (o budismo, as séries policiais dos anos 70 e o punk hardcore) e que representava tão bem o espírito da época que era impossível resistir a ele.

Ill Communication está dividido em três partes. Há faixas thrash, curtas e pesadas, como “Tough Guy” ou “Heart Attack Man”; trabalhos com verve jazzística ou mântricos, como “Flute Loop” ou “Shamballa”; e a parte mais eficiente de todas, músicas calcadas em loops sampleados. “Root Down” é um bom exemplo disso. Baseado num loop de órgão de Jimmy Smith, constroi um crescendo (em grande parte graças ao trabalho pioneiro de Smith) que faz com que o ouvinte sempre queira mais. Segue-se a faixa “Sabotage”, uma das músicas memoráveis da banda – um improviso com os três integrantes gritando as letras por cima da base.

Como registro do que se passava naquele momento na cabeça dos três (meditação, rock explosivo, ser duas vezes mais cool e diferente que todos os outros), é um momento-chave na carreira da banda. Em essência, é um disco sobre diversão. Depois deste trabalho, eles ainda iriam aperfeiçoar seu som, tornando-o mais refinado, mas Ill Communication é um disco de festa por excelência.

Tough Guy: YouTube Preview Image

Heart Attack Man: YouTube Preview Image

Flute Loop: YouTube Preview Image

Shamballa: YouTube Preview Image

Root Down: YouTube Preview Image

Sabotage: YouTube Preview Image

“Paul’s Boutique” do Beastie Boys (1989)

Após o fenomenal impacto global do álbum de estreia, Licenced To Ill, o grupo foi confrontado com o que os críticos disseram que seria “seu difícil segundo álbum”. Depois das reações tumultuadas que seu estilo de “jovens universitários” e suas atuações em palco provocavam, sem mencionar os milhares de logotipos da VW que os seus admiradores em todo o planeta tinham arrancado dos carros, a banda trocou Nova York por Los Angeles. Quando abandonaram o selo Def Jam, o grupo decidiu seguir em frente musicalmente em relação ao primeiro disco e foram trabalhar com o duo de produtores californianos The Dust Brothers.

O incrível número e a grande variedade de samples neste álbum são sem igual, tirando talvez 3 Feet High And Rising, do De La Soul. Também foi o último trabalho “importante” a ser produzido sem que os samples fossem previamente liberados, e os produtores puderam inspirar-se em elementos tão diversos como Curtis Mayfield, Led Zeppelin, Beatles e Ramones.

A energia e despreocupação demonstradas no disco, especialmente em faixas como “The Sounds Of Science”, “Looking Down The Barrel Of A Gun” e “Egg Man”, demonstravam sua evolução em termos de letras e das músicas, enquanto “Shake Your Rump”, “Hey Ladies” e “To All The Girls” não deixavam dúvidas de que o grupo continuava sabendo exatamente onde era a festa.

Paul’s Boutique foi um passo perfeito da banda, transportando-a de suas origens punk às músicas mais sofisticadas que caracterizariam os seus últimos discos. Ele também retrata o Beastie Boys em seu momento mais delicado, ainda que comercial. Pode ser um clássico subvalorizado, mas ainda agita qualquer festa.

The Sounds Of Science: YouTube Preview Image

Looking Down The Barrel Of A Gun: YouTube Preview Image

Egg Man: YouTube Preview Image

Shake Your Rump: YouTube Preview Image

Hey Ladies: YouTube Preview Image

To All The Girls: YouTube Preview Image

“Licensed to Ill” do Beastie Boys (1986)

Em 1984 o Beastie Boys abandonou as suas origens punk para se tornar um dos primeiros grupos brancos de rap. Quando lançaram o seu primeiro álbum, os três MCs – Mike D, MCA e King Ad-Rock, vindos de famílias judaicas abastadas de Nova York – foram simultaneamente criticados pela comunidade do hip-hop, por pirataria cultural, e pela maioria dos críticos, que os viram como comerciantes pueris daquela odiosa “música de festas”. Contudo, Licensed To Ill rapidamente arregimentou um grupo de fãs devotos e vendeu 750 mil cópias só nas primeiras seis semanas, alcançando o topo das paradas americanas (o primeiro álbum de rap a fazê-lo). Embora liricamente imaturo (afinal, eles tinham pouco mais de 20 anos na época), o hedonismo inconsequente do disco foi abraçado por adolescentes suburbanos festeiros de toda parte (vale notar a capa hilária de David Gamboli, que, quando vista por inteiro, transforma a aparente colisão de um 727 contra uma montanha em uma alusão a um pênis entrando em uma vagina).

A banda fazia inúmeras referências à cultura hip-hop e aos b-boys (fãs da cultura hip-hop) – basta ouvir “Posse In Effect” com suas referências às festas barra-pesada (com jovens usando pistolas 9mm) e a grudenta “Girls”. Mas a estética “faça você mesmo” do trio, as suas referências pós-modernas e a combinação de ritmos fortes e samples com riffs de heavy metal criam uma mistura inebriante. “Fight For Your Right” tornou-se um hino de festas, refletindo a atração mútua entre o rock e o hip-hop (território já explorado pelo produtor Rick Rubin nos seus trabalhos com Run DMC e LL Cool J). “Rhymin’ And Stealin’” tem um sample famoso de “When The Levee Breaks”, do Led Zeppelin. Outras músicas que caíram no gosto popular foram “No Sleep Till Brooklyn”, inspirada pelo Mötorhead, a funky “Brass Monkey” e “She’s Crafty” (com um sample de “The Ocean” do Led Zeppelin).

A adolescência nunca soou tão divertida.

Posse In Effect: YouTube Preview Image

Girls: YouTube Preview Image

Fight For Your Right: YouTube Preview Image

Rhymin’ And Stealin’: YouTube Preview Image

No Sleep Till Brooklyn: YouTube Preview Image

Brass Monkey: YouTube Preview Image

She’s Crafty: YouTube Preview Image

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