Ao contrário do que alguns pensam, Tanto Tempo não é o primeiro álbum de Bebel Gilberto. Ainda criança, já tinha gravado com seu pai (a lenda da bossa nova João Gilberto), sua mãe (a cantora Miúcha) e seu tio (o compositor Chico Buarque), tendo também gravado um álbum de música disco em 1986 com Cazuza. Em Nova York, ela já havia colaborado com David Byrne, Towa Tei (do Deee-Lite), The Thievery Corporation, Mario Castano (produtor dos Beastie Boys) e até mesmo com Kenny G. Quando voltou a São Paulo, formou uma parceria com o produtor iugoslavo Suba, que morreu logo após terminar este disco. A visão gélida e eletrônica da bossa nova de Suba contagia Tanto Tempo. Mesmo clássicos da MPB – como “So Nice”, de Marcos Valle, e “Samba da Bênção”, de Baden Powell – sofrem uma delicada revisão digital, na qual a ginga da bossa nova se entrelaça com o tecno europeu e o funk industrial de Nova York. Mas é a voz de Bebel – um sussurro temperado pela nicotina, cantando num inglês com agradável sotaque brasileiro – que faz de Tanto Tempo um disco irresistível.
Tanto Tempo tornou-se o álbum brasileiro mais vendido fora do país. As inovações de Suba foram depois superadas de várias formas, desde o drum ‘n’ bass de São Paulo, passando pela música eletrônica da Trama Records e por parte da produção dos bailes funk do Rio, mas Tanto Tempo permanece como um marco na história da música eletrônica.



