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“Sea Change” de Beck (2002)

Após uma década de ritmos hip-hop encardidos e folk desgastado, Sea Change testemunhou um Beck farto de sua própria alternância incessante entre gêneros musicais. E como soava cansado. Sea Change foi lançado logo após o rompimento de Beck com a sua namorada Leigh Limon e também após sua conversão à Cientologia. O disco chafurdava na infelicidade, o que significava – salvo algumas explosões catárticas de barulho – que suas travessuras pós-modernas chegavam ao fim. Enquanto Midnite Vultures (2000) era uma espécie de trilha sonora para um filme nunca rodado dos Banana Splits, Sea Change se firma em canções simples, tristes, com uma objetividade rara para esse compositor frequentemente obscuro.

Com o suporte de Roger Manning, Smokey Hormel, Joey Waronker e Justin Meldal-Johnsen, seguindo o modelo nada intrusivo de country rock – é a voz acústica, delicada e ferida de Beck que impulsiona o álbum. Até o produtor Nigel Godrich, amante de equipamentos eletrônicos, limita-se a seguir em frente com o trabalho de diluir a dor de amor do pobre Beck em 12 faixas.

Alguns até sentiram falta do experimentalismo de Oderlay e de Midnite Vultures. É bem verdade que as letras são pouco incisivas (em “End Of The Day”, ele rima “before” com “before”) e que a voz oscila entre cansada e clinicamente morta. Mas os arranjos orquestrais de tirar o fôlego em “Paper Tiger”, “Lonesome Tears” e “Round The Bend”, além das intensamente alegres/tristes “Sunday Sun”, “Little One” e “Lost Cause”, são de uma sinceridade e uma determinação que poucos imaginavam que Beck tivesse.

End Of The Day: YouTube Preview Image

Paper Tiger: YouTube Preview Image

Lonesome Tears: YouTube Preview Image

Round The Bend: YouTube Preview Image

Sunday Sun: YouTube Preview Image

Little One: YouTube Preview Image

Lost Cause: YouTube Preview Image

“Odelay” de Beck (1996)

Em Odelay, o seu segundo álbum para uma grande gravadora, Beck Hansen tinha algo para provar. Com o single “Loser”, de 1994, ele tinha alcançado um sucesso fenomenal. A música foi considerada o “hino dos indolentes”. O seu refrão – “I’m a looser baby, so why don’t you kill me” (“Sou um fracassado, querida, então por que você não me mata?”) – tornou-se um slogan mundial e o jovem de 24 anos foi transformado em ícone para a Geração X.

Mas esse rapaz de Los Angeles não era um viciado em drogas: “Loser” era tão irônica quanto a sua outra música independente, “MTV Makes Me Want To Smoke Crack”. Rebelde e criativo, ele gostava tanto de folk quanto de hip-hop e dominava tanto bons passos de dança quanto poses de roqueiro. Também sabia gravar com uma sonoridade lo-fi, embora dominasse as técnicas de produção de ponta.

Com Odelay, Beck conseguiu o feito de juntar todas essas ideias tão díspares num único e vibrante trabalho. Ele se juntou ao Dust Brothers, o duo de produtores-artistas responsável pela vibração energética de Paul’s Boutique, do Beastie Boys. Foi uma aliança especialmente produtiva: já na primeira música, “Devils Haircut”, ele tinha um sample de James Brown, riffs poderosos, ritmos quentes e uma miscelânea brilhante de truques e artimanhas musicais. “The New Pollution” começa como um pop despretensioso, mas em seguida sequestra o ritmo de “Taxman”, dos Beatles. “Where It’s At” é hip-hop funkeado, enquanto “Jack-Ass” é uma balada country construída sobre um belo cover que o Them havia feito sobre “It’s All Over Now, Baby Blue”, de Bob Dylan.

Assustadoramente eclético, Odelay é o som de um jovem inconformista que está se divertindo e que possui uma força de vontade irredutível. Vendeu dois milhões de cópias, gerou vários hits na MTV e ganhou dois Grammys. Um novo tipo de gênio tinha surgido.

Devils Haircut: YouTube Preview Image

The New Polution: YouTube Preview Image

Jack-Ass: YouTube Preview Image

Where It’s At: YouTube Preview Image

High 5 (Rock The Catskills): YouTube Preview Image

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