Bert Jansch começou a tocar seu mix pessoal de folk, blues e jazz em clubes de folk no início dos anos 60, depois de descer de carona da Escócia até Londres. Seu álbum de estreia foi lançado em abril de 1965, na inauguração do hoje famoso Les Cousins, um clube no Soho. Jansch pegou uma guitarra emprestada e o disco foi gravado com o uso de um equipamento portátil no apartamento do produtor freelance Bill Leader, em Camden Town. O álbum acabou vendido pela modesta soma de 100 libras, sem direitos autorais, a Nat Joseph, fundador da Transatlantic Records.
As músicas, marcadas por uma guitarra fluída e surpreendentemente bem tocada, trazem o selo da forte personalidade de Jansch – da abertura leve com “Stroling Down The Highway” à pungente “Needle Of Death”, sobre um amigo que morreu de overdose de heroína; da reflexiva e arrepiante “Running From Home” à aula de guitarra de “Angie”, composta por Davy Graham e, mais tarde, gravada por Simon & Garfunkel.
Com sua técnica inovadora na guitarra e um material de peso, Bert Jansch causou sensação e se mantém inspirador desde então. Muitas músicas foram gravadas por outros cantores da época, como Donovan, Julie Felix e Marianne Faithfull, enquanto guitarristas como Jimmy Page, Neil Young, Johnny Marr e Noel Gallagher reconheceram a influência deste disco em seu trabalho. A fama do álbum, porém, não se deve apenas ao talento de Jansch como músico, mas também a seu lirismo.

