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“Atomizer” da Big Black (1986)

O desenho na capa de Atomizer mostra a Terra na extremidade do cano de uma arma de raios mortais (problemas com direitos autorais obrigaram uma mudança no conceito original em que o personagem Marvin The Martian, dos Looney Tunes, apontava a arma).

Os comentários de Steve Albini no encarte do álbum, contudo, afastam-se do niilismo dos desenhos animados, substituindo-o por puro realismo e complementando o repertório de músicas sobre pedofilia, estupros, violência nas cidades pequenas e traumas pós-Vietnã. “Não é possível pensar de fato sobre essa coisa – se alguém tentar, fica maluco, começa a balbuciar, cuspir, mijar nas calças… é enlouquecedor”, escreveu ele no encarte. Esse sentimento ácido de repulsa é expresso no barulho proto-industrial da música.

Composta por três caras e uma bateria eletrônica, a banda Big Black surgiu em Chicago no início dos anos 80. Atomizer é o álbum de estreia e cristaliza o som que desenvolveram nos EPs anteriores: black metal pregado à pulsação incessante de baterias eletrônicas, resultando em caos claustrofóbico e estridente.

“Jordan, Minnesota” deixa o ouvinte arrepiado como se fosse um filme de terror, enquanto “Kerosene” estremece como um Zeppelin robo-funk até as guitarras incendiarem tudo. Em “Bazooka Joke” os sons de bateria incluem disparos de um rifle M1. Por cima disso tudo, Albini vocifera com uma repulsa impassível – dotado do poder da alienação, mas ainda assim a figura enigmática e controversa que daria à sua próxima banda o nome de Rapeman (“homem-estupro”).

Um álbum inflexivelmente moral, Atomizer fala de um mundo pronto para a destruição – e nos retorna a imagem sob a forma de ruído branco abrasivo. Uma purificação pela catarse que continua a queimar até hoje.

Jordan, Minnesota: YouTube Preview Image

Kerosene: YouTube Preview Image

Bazooka Joke: YouTube Preview Image

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