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“Cheap Thrills” do Big Brother And The Holding Company

A fama de Cheap Thrills entre os críticos repousa na grandeza teatral do vocal cru e visceral de Janis Joplin. Misturando tradições e influências à atmosfera típica do Haight, o distrito hippie de São Francisco, as performances de Joplin neste álbum transcendem qualquer discussão da época a respeito de uma texana branca ter ou não condições de cantar blues. Se for possível extrair mais emoção das músicas, não será neste planeta.

Depois da apresentação do grupo no Festival Pop de Monterey, em 1967, o público aguardava com ansiedade o lançamento do disco. Cheap Thrills prontamente alcançou o primeiro lugar nas paradas americanas e ali se manteve durante oito semanas, ganhando o disco de ouro; o single “Piece Of My Heart” chegou ao 12o lugar. A voz de Joplin torna o álbum atemporal (sua leitura vulcânica de “Ball And Chain”, de Willie Mae Thornton, foi um dos destaques de Monterey; cenas filmadas mostravam Mama Cass assistindo à apresentação de Janis Joplin em êxtase). O disco, porém, contém muitas lembranças do Haight-Ashbury do final dos anos 60. Sua intensidade pode ser percebida nos simbólicos quadrinhos de Robert Crumb na capa (a foto de Joplin acabou indo parar na contracapa), e também na exuberância com que a banda adota uma variedade de estilos de música negra – especialmente o doo-wop, o soul e o blues. As limitações de gênero são claras: às vezes, o tom pesado dos solos e dos ritmos da banda a impede de alçar voo com Joplin; é a voz dela, suplicante, enlevada e potente, que permanece.

Sendo assim, não é surpresa que ela tenha deixado o Big Brother (com o guitarrista Sam Andrew) quando o álbum ainda estava nos primeiros lugares – infelizmente, Janis nunca encontrou outro contexto musical que realmente a alimentasse.

Piece Of My Heart: YouTube Preview Image

Ball And Chain: YouTube Preview Image

Summertime: YouTube Preview Image

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