Third/Sister Lovers, o terceiro, último e mais influente álbum do Big Star, é, em geral, descrito como difícil, desolador e deprimente. Sem dúvida, a batida “para cima” da banda, no estilo dos Beatles e dos Byrds, é quase sufocada por faixas acachapantes como “Big Black Car” e “Kangaroo”, mas funciona.
Frustrados por anos de disputas em torno do processo de criação e pelo fracasso comercial, Alex Chilton e a banda soam como se já não dessem a mínima para mais nada. O álbum é metade uma carta de amor, metade fim de relação. Eles parecem soltos como nunca, mas há um elemento de tensão e desespero amargo que o produtor Jim Dickinson põe a nu, usando apenas a porção certa de eco e feedback.
“Thank You Friends” é um rock alegre e rápido, com um coro de fundo sublime. “Stroke It Noel” vai penetrando aos poucos pelos ouvidos, com sua melodia hesitante e um belo naipe de cordas. “Big Nlack Car” é tão lenta que quase para e seu efeito é narcótico e entorpecedor – ao contrário de “Holocaust”, que é tão emocionalmente devastador que faz desejar se esconder embaixo da cama e nunca mais sair dali.
Durante anos, Third/Sister Lovers não teve o lançamento que merecia. Ninguém conseguia chegar a um acordo sobre a ordem das faixas e várias versões piratas circularam por aí (o que explica o título duplo). No entanto, graças à explosão do power-pop, estimulada por bandas como o R.E.M. e The Replacements, o mundo finalmente alcançou o Big Star. E assim, em 1992, a Rykodisc lançou a versão definitiva de Third/Sister Lovers. Imperdível.










