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“Mermaid Avenue” de Billy Bragg And Wilco (1998)

Em 1992, em Summerstage, Nova York, o politizado músico inglês de folk-rock Billy Bragg atuou num show que celebrava o aniversário de Woodie, Nora Guthrie, que soube imediatamente que Bragg era o homem capaz de musicar algumas das muitas letras de seu pai.

Bragg aceitou o desafio de Nora em 1995, mas descobriu que a tarefa de explorar os arquivos era assustadora e que não podia fazer justiça às músicas se trabalhasse sozinho. Dois anos mais tarde, pediu ajuda ao grupo norte-americano de country alternativo Wilco.

Mermaid Avenue traz na capa o nome e a imagem da rua de Coney Island, Brooklin, onde Guthrie tinha vivido com a sua família durante a Segunda Guerra Mundial. Gravado primeiro em Chicago e depois em Dublin, o álbum captou um som orgânico com reminiscências de bluegrass primitivo e folk rock. Foi um sucesso para Bragg e Wilco, e lhes valeu uma menção honrosa nos “Discos Essenciais dos Anos 90″ da Rolling Stone.

“Walt Whitman’s Niece” é cativante pelas suas alegres vozes e guitarras, enquanto “Way Over Yonder In The Minor Key” é uma balada folk sustentada pela voz angelical de Natalie Merchand. “California Star” tinha sido subestimada por Bragg, mas a doce evocação dos céus estrelados feita por Jeff Tweedy, do Wilco, enternece o coração. “Hoodoo Voodoo” é um conto infantil a que Wilco dá vida; “Ingrid Bergman” professa o amor secreto de Guthrie pela estrela sueca.

Walt Whitman’s Niece: YouTube Preview Image

Way Over Yonder In The Minor Key: YouTube Preview Image

California Star: YouTube Preview Image

Hoodoo Voodoo: YouTube Preview Image

Ingrid Bergman: YouTube Preview Image

“Talking With The Taxman About Poetry” de Billy Bragg (1986)

Billy Bragg sempre esteve no meio-termo entre o público e o privado, explorando tanto os assuntos políticos como as emoções pessoais com igual paixão. Sendo assim, Talking With The Taxman About Poetry talvez seja a síntese mais bem-sucedida de suas preocupações, juntando o sarcasmo moralista de “Ideology” com a sensibilidade de “The Passion”.

Embora as influências de cantores folk como Pete Seeger e Woody Guthrie sejam claras, Billy Bragg foi igualmente inspirado pelas tradições do music hall inglês e plo rock ‘n’ roll – ambas ficam claras aqui em suas versões para a música proto-punk “Train, Train”, do obscuro grupo Count Bishops, e para a chorosa “Honey I’m A Big Boy Now”.

Enquanto a capa descaradamente estridente e músicas como “There Is Power In A Union” ocasionalmente ameaçam abalar a força geral do disco, as melhores músicas analisam as consequências emocionais da política, como a dissecção institucional de “The Marriage” e a “mistureba ideológica” de “Greetings To The New Brunette”.

Com o subtítulo de “o difícil terceiro álbum”, o disco contou com muitos colaboradores e com o apoio de pessoas como Johnny Marr e Kirsty MacColl, mantendo, todavia, a estética austera que marcava o som claro e cheio de ambiência que caracterizava a sua guitarra. O resultado é um disco caloroso, direto e poderoso.

Ideology: YouTube Preview Image

There Is Power In A Union: YouTube Preview Image

The Marriage: YouTube Preview Image

Greetings To The New Brunette: YouTube Preview Image

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