Em Vespertine (2001), Björk criou um mundo de sons que eram obscuros até para ela mesma. Medúlla segue um caminho semelhante: a voz humana é a única fonte sonora para a música – com exceção de um gongo!.
Björk e o engenheiro de som islandês Valgeir Sigurdsson trabalharam no álbum durante um ano e meio até que finalmente decidiram arriscar e utilizar apenas vozes. Um grupo variado de colaboradores juntou-se ao projeto, entre eles Mike Patton, Robert Wyatt, a artista vocal japonesa Dokaka e o beatboxer Rahzel. Também participaram coros provenientes da Islândia e da Inglaterra, e a gravação aconteceu em lugares diferentes – Isl6andia, Nova York, Ilhas Canárias, Brasil e Londres.
A música é uma mistura eclética de música folk antiga, tecno, erudita contemporânea, pop e vanguarda bizarra. As raízes islandesas de Björk estão em destaque na sutil e intimista “Vökuró”, enquanto “Desired Constellation” é simples e emocionalmente dura. Grunhidos, respiração ofegante e acrobacias vocais surgem em diversas faixas, como na assombrosa “Ancestors”, onde ela usa uma técnica dos inuítes de cantar com a garganta. No resto do disco, a cantora funde espetacularmente a vanguarda com a sensibilidade pop em faixas como “Mouth’s Cradle”, “Triumph Of A Heart” e “Who Is It (Carry My Joy On The Left, Carry My Pain On The Right)”.
Numa entrevista, o engenheiro Valgeir revelou que, em determinado momento, se preocupou que a abordagem incomum tirasse o foco da música. Não precisava se preocupar: o álbum foi recebido com elogios universais e saudado como mais um triunfo de uma artista consistentemente inovadora.
Who Is It (Carry My Joy On The Left, Carry My Pain On The Right): 

















