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“Medúlla” de Björk (2004)

Em Vespertine (2001), Björk criou um mundo de sons que eram obscuros até para ela mesma. Medúlla segue um caminho semelhante: a voz humana é a única fonte sonora para a música – com exceção de um gongo!.

Björk e o engenheiro de som islandês Valgeir Sigurdsson trabalharam no álbum durante um ano e meio até que finalmente decidiram arriscar e utilizar apenas vozes. Um grupo variado de colaboradores juntou-se ao projeto, entre eles Mike Patton, Robert Wyatt, a artista vocal japonesa Dokaka e o beatboxer Rahzel. Também participaram coros provenientes da Islândia e da Inglaterra, e a gravação aconteceu em lugares diferentes – Isl6andia, Nova York, Ilhas Canárias, Brasil e Londres.

A música é uma mistura eclética de música folk antiga, tecno, erudita contemporânea, pop e vanguarda bizarra. As raízes islandesas de Björk estão em destaque na sutil e intimista “Vökuró”, enquanto “Desired Constellation” é simples e emocionalmente dura. Grunhidos, respiração ofegante e acrobacias vocais surgem em diversas faixas, como na assombrosa “Ancestors”, onde ela usa uma técnica dos inuítes de cantar com a garganta. No resto do disco, a cantora funde espetacularmente a vanguarda com a sensibilidade pop em faixas como “Mouth’s Cradle”, “Triumph Of A Heart” e “Who Is It (Carry My Joy On The Left, Carry My Pain On The Right)”.

Numa entrevista, o engenheiro Valgeir revelou que, em determinado momento, se preocupou que a abordagem incomum tirasse o foco da música. Não precisava se preocupar: o álbum foi recebido com elogios universais e saudado como mais um triunfo de uma artista consistentemente inovadora.

Vökuró: YouTube Preview Image

Desired Constellation: YouTube Preview Image

Ancestors: YouTube Preview Image

Mouth’s Cradle: YouTube Preview Image

Triumph Of A Heart: YouTube Preview Image

Who Is It (Carry My Joy On The Left, Carry My Pain On The Right): YouTube Preview Image

Where Is The Line?: YouTube Preview Image

“Vespertine” de Björk (2001)

Depois de três álbuns solo, Björk pensava que já tinha mapeado cada aspecto de si mesma: desde os primeiros passos tímidos de Debut, passando pelo frenético Post, ao melancólico e potente Homogenic. “Vespertine”, disse Björk, “é a última parte de mim”.

Antes de começar o trabalho em Vespertine, Björk foi a protagonista do filme de Lars Von Trier Dançando no Escuro, no papel de Selma, uma personagem introvertida vivendo num “universo hermético”. O mesmo ambiente tranquilo e contemplativo é filtrado por seu novo álbum. Segundo Björk, o disco fala do que “acontece sob a minha pele, o local secreto”.

Vespertine vibra com atividade submarina, uma sensação de fisgadas físicas ou emocionais invisíveis. De fato, Björk já colecionava pequenos samples desde 1997, pesquisando instrumentos como a celesta, harpa e caixinhas de música: “sons de percussão doces e curtos”. Para Vespertine, ela chamou o duo eletrônico Matmos, que já havia trabalhado com as coisas mais variadas possíveis para produzir música, desde brinquedos até sons produzidos durante uma cirurgia plástica.

Além dos barulhinhos inomináveis que borbulham pelas faixas, Vespertine se move ao som de orquestrações e vozes de um coral de meninas Inuit da Groelândia. Há uma liberdade de tirar o fôlego em músicas como “It’s Not Up To You”, que celebra a felicidade em confiar no desconhecido (“Unthinkable surprises, about to happen – “Surpresas impensáveis, prestes a acontecer”), até a suavemente erótica “Cocoon”, tão íntima que lembra anotações de um diário pessoal.

Logo após o lançamento do disco, Björk partiu para uma bem-sucedida turnê mundial que foi amplamente documentada. A cantora disse que se sentia libertada. “Eu poderia fazer absolutamente qualquer coisa agora mesmo”, disse ela. O mundo prendeu a respiração.

It’s Not Up To You: YouTube Preview Image

Cocoon: YouTube Preview Image

Hidden Place: YouTube Preview Image

Pagan Poetry: YouTube Preview Image

“Debut” de Björk (1993)

Björk Gudmundsdottir nasceu em Reykjavik e, desde pequena, deu sinais da grande música que se tornaria. Começou cantando sozinha em cavernas varridas pelo vento e, aos 11 anos, já tinha gravado um disco solo de sucesso. Seguiram-se grupos de punk vanguardista, sendo The Sugarcubes o mais famoso. Contudo, quando a banda finalmente conquistou o seu primeiro grande sucesso internacional (“Hit”, de 1991), Björk decidiu abandonar o grupo: “Precisava correr riscos, queria desafios”.

Levando uma fita em que bandas de sopro tradicionais interpretavam suas composições da infância, a cantora buscou a ajuda do pioneiro da dance music, Graham Massey (do 808 State), e traçou a sua rota para chegar aos clubes underground londrinos. Ao lado do produtor Nellee Hooper (do Massive Attack), Björk confraternizou com algumas das maiores cabeças musicais de Londres – Goldie, Talvin Singh -, ouvindo ideias, dividindo, polinizando como uma abelha. “Obviamente houve discussões e lágrimas dos dois lados”, disse Hooper, “mas é assim que se faz um grande disco”.

O resultado foi Debut. Björk descreve a sua foto na capa do álbum como “tímida e delicada”, mas Debut foi uma autêntica revelação, um segredo para ser ouvido aos brados. A magia da voz de Björk é o centro do disco, oscilando entre gritos estridentes e suspiros infantis e carinhosos.

Em 1992, quando foi ao programa Unplugged, da MTV, acompanhada por um grupo de monges e alguns copos de cristal perfeitamente afinados, a sensação que dava era que Björk seria capaz de extrair música até das pedras. O mundo aplaudiu: Björk tinha chegado.

Human Behaviour: YouTube Preview Image

Venus As A Boy: YouTube Preview Image

Big Time Sensuality: YouTube Preview Image

Aeroplane: YouTube Preview Image

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