Ele já era cantor aos 15 anos (nos Royal Teens, uma banda que emplacou dois hits instantâneos); depois passou a compor por encomenda das gravadoras; e foi o organista de “Like A Rolling Stone”. Mas Al Kooper sempre quis ter sua própria banda. E conseguiu, em 1967, quando, junto com o guitarrista Steve Katz, abandonou o Blues Project com o objetivo de fundir um blues-rock selvagem ao jazz, sob a bandeira do Blood, Sweat And Tears. Kooper desistiu do grupo logo após lançar o bem-recebido álbum Child Is Father To The Man, mas Katz e seus colegas decidiram seguir em frente sem sua força motriz, e recrutaram o cantor canadense David Clayton-Thomas para substituí-lo. Foi um bom negócio. Retrabalhando as ideias de Kooper numa via mais pop, Blood, Sweat And Tears chegou ao primeiro lugar das paradas e faturou um Grammy como disco do ano.
Mesmopelos padrões dos anos 60, o álbum era muita areia para o caminhão da banda, sustentado por duas releituras psicodélicas da primeira peça das Trois Gymnopédies, de Satie, e centrado num pouco ousado tema de jazz-rock de 12 minutos. Ainda assim, há muita coisa boa: as versões com arranjos de metais de “Smiling Phases”, do Traffic, e de “And When I Die”, de Laura Nyro, e a interpretação de “You’ve Made Me So Very Happy”, de Brenda Holloway. Era arriscado regravar “God Bless The Child”, de Billie Holiday, mas o convincente Clayton-Thomas mostrou-se à altura da tarefa.
O sucesso da banda durou pouco. Depois de uma turnê pela Europa em prol da campanha de Nixon e de um giro pelos cabarés de Las Vegas, a credibilidade do Blood, Sweat And Tears estava acabada. O que Kooper achou disso está em sua divertida autobiografia, Backstage Passes And Backstabbing Bastards.
Variations On A Theme By Erik Satie (1st And 2nd Movements): 




