Foi aí que as coisas ficaram heavy de verdade. Inspirado no nome de um tipo de LSD que, por sua vez, havia sido batizado com a marca de um sabão em pó, esse trio de São Francisco aumentou as apostas no noise rock com seu álbum de estreia, pavimentando o caminho para os Stooges e o Zeppelin, do heavy metal ao rock experimental. Está certo que já existiam, nos anos 60, a batida primal de inumeráveis bandas de garagem, mas nenhuma tinha estabelecido um padrão de som de abalar as estruturas, nem a intensidade de feedback do Blue Sheer. Daí o epíteto atribuído ao grupo: “mais alto do que Deus”.
Da primeira vez que o Blue Cheer tentou gravar Vincebus Eruptum, estourou a mesa de mixagem. Com as devidas precauções, a banda conseguiu fazer o melhor LP, disparado, de sua carreira, composto por quatro músicas originais e duas versões: uma leitura virulenta, ameaçadora e suja de “Summertime Blues”, de Eddie Cochran (superior até à versão poderosa do The Who), e o clássico do blues “Rock Me Baby”. A primeira ficou entre os 20 maiores sucessos da parada americana, algo surpreendente, talvez, para uma banda mais interessada em atingir os limites do volume e nada preocupada com a musicalidade. Eles não eram exatamente bons músicos, mas há alguma coisa de admirável e hipnótico nos gritos extemporâneos e no barulho mal controlado, e nos berros de Dickie Peterson enquanto a banda literalmente chacoalha em “Parchment Farm”.
Da capa em roxo e prata ao espírito “cada vez mais alto”, este disco é um importante marco dos primeiros tempos do heavy metal.





