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“Blur” do Blur (1997)

A capa do álbum mostra uma foto borrada de um paciente entrando na emergência de um hospital – um resumo admiravelmente cândido que transmite o estado crítico da banda antes deste disco ser lançado. No verão de 1995, “Country House” pode ter levado a melhor e chegado ao primeiro lugar nas paradas inglesas, batendo “Roll With It”, do Oasis, mas o supercalculado The Great Escape ficou para trás em relação a (What’s The Story) Morning Glory?. No final de um ano, o britpop estaria morto.

A salvação veio de uma fonte contra a qual tinham passado quase toda a carreira brigando: os Estados Unidos. Ainda que os seus três álbuns anteriores – a chamda “trilogia inglesa” – fossem uma negação do rock norte-americano, o que mais fazer senão abraçá-lo? Conta a enda que a mudança de rumo veio graças a Graham Coxon. O disco certamente pertence às suas guitarras barulhentas, especialmente em “Song 2″, um sucesso que permitiu que entrassem no mercado norte-americano. Coxon também compôs a maravilhosa “You’re So Great”, sua primeira música para o Blur. É impossível não detectar as influências do Pavemente, Sonic Youth, Dinosaur Jr. ou até mesmo o Black Flag, algo que seria impensável para a banda enquanto Damon Albarn estivesse no comando.

A música do Blur sempre teve as suas excentricidades, mas agora elas estavam mais evidentes por conta dos métodos de gravação lo-fi do produtor Stephen Street. De qualquer forma, este disco contém algumas das melhores músicas de Damon Albarn. As dolorosas “Strange News From Another Star” e “Country Sad Ballad Man” estão a anos-luz dos excessos de Parklife. Por sua vez, a última faixa, “Essex Dog”, foi a declaração definitiva sobre a identidade inglesa que a banda tinha levado três álbuns tentando alcançar.

Song 2: YouTube Preview Image

You’re So Great: YouTube Preview Image

Strange News From Another Star: YouTube Preview Image

Country Sad Ballad Man: YouTube Preview Image

Essex Dog: YouTube Preview Image

Beetlebum: YouTube Preview Image

On Your Own: YouTube Preview Image

“Parklife” do Blur (1994)

Quando o Blur começou a gravar o álbum Parklife estava com sérios problemas financeiros. O álbum anterior, Modern Life Is Rubbish, havia sido basicamente ignorado pelas massas (mesmo que fosse adorado pelos críticos) e o grupo precisava desesperadamente de um sucesso. Em um gesto de típica teimosia, uma de suas ideias para o novo trabalho tinha sido o de intitulá-lo Soft Porn e colocar na capa uma fotografia do Palácio de Buckingham.

Felizmente, o disco que viria a personificar a essência do gênero conhecido como britpop continha um arsenal de sucessos bem cuidados e devia muito do seu cinismo aos Kinks dos anos 60, assim como à emergente cultura agressiva dos 90. A capa também havia sido conscientemente trabalhada: uma fotografia de dois greyhounds de dentes arreganhados simbolizava o ponto-chave do álbum: esta era uma nova e afiada raça de britânicos. Na contracapa, os integrantes do Blur eram retratados como herois da classe operária, no estilo mod, assistindo a uma corrida de greyhounds no Estádio de  Walthamstow.

Ainda não tendo entrado em “guerra” com o Oasis, o quaerteto inaugurou o estilo com uma versão inglesa de pop que podia ser melancólica (“End Of A Century”), thrash (“Bank Holiday”) ou desafiadora – “Parklife”, a música de abertura narrada pelo ator inglês Phil Daniels, conhecido por sua participação em Quadrophenia.

Quase no final do disco, “This Is A Low” até hoje é um dos maiores feitos do grupo: a letra, inspirada numa toalha para chá que o baixista Alex James comprou para o vocalista Damon Albarn, aos poucos engloba a previsão do tempo na costa britânica para barcos, transmitida pela BBC, sobre um pesaroso acompanhamento musical de um motor de popa.

Parklife continua sendo o trabalho mais coerente do Blur, firmemente enraizado no passado, mas soando estridentemente moderno.

End Of A Century: YouTube Preview Image

Bank Holiday: YouTube Preview Image

Parklife: YouTube Preview Image

This Is A Low: YouTube Preview Image

Girls And Boys: YouTube Preview Image

Badhead: YouTube Preview Image

To The End: YouTube Preview Image

Clover Over Dover: YouTube Preview Image

“Modern Life Is Rubbish” do Blur (1993)

Este álbum do Blur talvez nunca tivesse sido feito. A combinação do grunge, as mudanças nas tendências musicais, uma turnê esgotante pelos Estados Unidos e problemas financeiros deixaram o grupo esgotado na segunda metade de 1992. Contra tudo o que seria razoável supor, contudo, o Blur produziu o que ainda hoje é considerado um dos seus melhores trabalhos.

O disco marcou o início de uma fase em que foram muito influenciados pelo The Kinks, chegando até mesmo a exaltar a “antiga e esquecida Inglaterra”, como se vê na capa com a locomotiva a vapor Mallard. As 16 músicas que o compõem traziam melancolia, no estilo de Syd Barrett (“Miss America”), músicas festivas para hooligans (“Sunday Sunday”) e ainda o som alternativo da guitarra de Graham Coxon (ele aparece nos créditos como tendo “tocado” uma furadeira em “Pressure On Julian”). Entretanto, o álbum tem uma produção e um ritmo tão belos que essa mistura de estilos díspares se condensa para formar uma crítica convincente a um determinado estilo de vida inglês dos anos 90. Algo na arrogância de instrumentais como “Intermission” e “Commercial Break”, ou ainda nas cordas sedutoras do single “For Tomorrow”, deixava os ouvintes boquiabertos.

Era mesmo essa banda que, apenas dois anos mais cedo, havia sido fortemente ligada à tão criticada cena “baggy”? A “nova” imagem do Blur (como pode ser vista na contracapa) tinha evoluído para o estilo mod. Outras provas de suas tendências cultuais – e pura genialidade pop – ainda estavam por vir.

Miss America: YouTube Preview Image

Pressure On Julian: YouTube Preview Image

Intermission: YouTube Preview Image

Commercial Break: YouTube Preview Image

For Tomorrow: YouTube Preview Image

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