Bob Marley era um homem de muitas facetas – um visionário do Terceiro Mundo e um pop star do Primeiro Mundo, um profeta da revolução nacional e um mensageiro da paz mundial, um místico rastafári e um amante lascivo. Exodus, lançado em 1977, foi o disco que melhor captou essas diversas identidades.
Exodus (e Kaya, lançado no ano seguinte) foi gravado em Londres, durante os meses tranquilos que se seguiram a uma tentativa de assassinato de Marley em sua casa, em Kingston. O álbum traz uma incursão por diferentes movimentos musicais contemporâneos, como u funk, o dub e o rock, principalmente no lado A, de conteúdo marcadamente político. O som vai aumentando de volume no poderoso ritmo religioso de “Natural Mystic” até chegar ao trompete épico que sublinha o verso “listen carefully” (“ouçam com atenção”). O que vem depois é ainda mais valioso: “The Heathen” – um grito de batalha hipnótico com riffs de guitarra psicodélica – e a contagiante faixa-título, um apelo de volta à pátria, que marcha numa potente batida dub/disco.
O lado B, ao contrário, é uma deliciosa celebração do amor, trazendo o hit “Jamming”, uma ode à dança maravilhosamente bem elaborada. Há a sublime “Waiting In Vain”, uma balada suave sobre o amor não correspondido, e “One Love” e “Three Little Birds”, duas músicas simples mas irreprimíveis, que compuseram a receita do hino reggae da alegria – o baixo embalado pela maconha, os acordes à sombra das palmeiras e um refrão otimista – que os músicos de todo o mundo vêm tentando, em vão, superar.
O álbum ficou em oitavo lugar nas paradas britânicas e os singles “Exodus” e “Waiting In Vain” ficaram entre os Top 40 das paradas americanas de R&B. Em 1999, a revista Time classificou Exodus como o disco do século.























