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“Exodus” de Bob Marley And The Wailers (1977)

Bob Marley era um homem de muitas facetas – um visionário do Terceiro Mundo e um pop star do Primeiro Mundo, um profeta da revolução nacional e um mensageiro da paz mundial, um místico rastafári e um amante lascivo. Exodus, lançado em 1977, foi o disco que melhor captou essas diversas identidades.

Exodus (e Kaya, lançado no ano seguinte) foi gravado em Londres, durante os meses tranquilos que se seguiram a uma tentativa de assassinato de Marley em sua casa, em Kingston. O álbum traz uma incursão por diferentes movimentos musicais contemporâneos, como u funk, o dub e o rock, principalmente no lado A, de conteúdo marcadamente político. O som vai aumentando de volume no poderoso ritmo religioso de “Natural Mystic” até chegar ao trompete épico que sublinha o verso “listen carefully” (“ouçam com atenção”). O que vem depois é ainda mais valioso: “The Heathen” – um grito de batalha hipnótico com riffs de guitarra psicodélica – e a contagiante faixa-título, um apelo de volta à pátria, que marcha numa potente batida dub/disco.

O lado B, ao contrário, é uma deliciosa celebração do amor, trazendo o hit “Jamming”, uma ode à dança maravilhosamente bem elaborada. Há a sublime “Waiting In Vain”, uma balada suave sobre o amor não correspondido, e “One Love” e “Three Little Birds”, duas músicas simples mas irreprimíveis, que compuseram a receita do hino reggae da alegria – o baixo embalado pela maconha, os acordes à sombra das palmeiras e um refrão otimista – que os músicos de todo o mundo vêm tentando, em vão, superar.

O álbum ficou em oitavo lugar nas paradas britânicas e os singles “Exodus” e “Waiting In Vain” ficaram entre os Top 40 das paradas americanas de R&B. Em 1999, a revista Time classificou Exodus como o disco do século.

Natural Mystic: YouTube Preview Image

The Heathen: YouTube Preview Image

Exodus: YouTube Preview Image

Jamming: YouTube Preview Image

Waiting In Vain: YouTube Preview Image

One Love: YouTube Preview Image

Three Little Birds: YouTube Preview Image

“Natty Dread” de Bob Marley And The Wailers

Este é o álbum que apresentou ao mundo Bob Marley e os novos Wailers. Seus companheiros de longa data, Peter Tosh e Bunny Livingston, deixaram a banda – numa reação ao estresse das seguidas turnês e às pressões de sua crescente fama internacional -, depois de 10 anos como os Wailing Wailers (o primeiro hit do grupo a chegar ao topo da parada da Jamaica foi “Simmer Down”, de 1963).

Havia rumores de que o som de Marley perderia consistência e que o tom político seria abrandado. Natty Dread provou que os boatos não tinham fundamento. Faixa após faixa, o álbum mostra mais energia do que qualquer outro feito pela banda. Desde o primeiro grito rebelde da convocatória “Lively Up Yourself”, o disco flui com melodias sensacionais.

Natty Dread apresentou o gueto de Trenchtown à juventude mundial mais abonada. Os temas políticos de “Them Belly Full”, “Rebel Music”, “Talkin’ Blues” (“Cause I feel like bombing a church, now, / Now that you know that the preacher is lying”) e “Revolution” causaram arrepios na espinha do establishment da Jamaica. A versão ao vivo de “No Woman, No Cry” levou Marley, pela primeira vez, a aparecer entre os 10 Mais nas paradas britânicas, em 1975 (consta que Marley escreveu a canção, mas a creditou a Vincent Ford, um cozinheiro de Kingston que tinha dado casa e comida ao jovem Bob, em tempos difíceis).

O som vital e irresistível do álbum ainda explode até hoje pelos alto-falantes, impulsionado pela bateria e o baixo selvagens dos irmãos Barrett, incrementado pela guitarra de Al Anderson e coroado por essa insuperável revelação vocal africana que são Bob e as I-Threes (Rita Marley, Marcia Griffiths e Judy Mowatt).

Lively Up Yourself: YouTube Preview Image

Them Belly Full: YouTube Preview Image

Rebel Music: YouTube Preview Image

Talkin’ Blues: YouTube Preview Image

Revolution: YouTube Preview Image

No Woman, No Cry: YouTube Preview Image

Bend Down Low: YouTube Preview Image

“Catch A Fire” de Bob Marley And The Wailers

Em dezembro de 1971, em Londres, um Bob Marley maltrapilho adentrou o escritório de Chris Blackwell, fundador da Island Records, em busca de uma chance. Também jamaicano, Blackwell viu ali uma oportunidade de ouro e adiantou 6 mil dólares para que Marley e sua banda, The Wailers, voltassem para a Jamaica e gravassem um álbum. De posse das fitas master, Blackwell recrutou músicos americanos de estúdio, acrescentou guitarras de rock e teclados e encomendou uma capa bacana, no formato de um isqueiro Zippo. O álbum recebeu críticas entusiasmadas e preparou o terreno para a ascensão internacional do reggae.

Este não foi apenas o primeiro álbum de reggae a entrar no mercado do rock, mas também a primeira parceria de Marley com os companheiros fundadores do Wailers, Peter Tosh e Bunny Livingstone. Sustentado pelas linhas de baixo fortes e disciplinadas de Aston Barrett e pelas notas ascendentes da guitarra de Tosh, o trio mostra a variedade de sua habilidade vocal, transmitindo sua mensagem engajada numa rica harmonia.

A mágica faixa de abertura, “Concrete Jungle”, traz o desespero diante da terrível pobreza dos guetos urbanos. A vigorosa “400 Years”, de Tosh, e a ameaçadora “Slave Driver” lembram o legado histórico opressivo da escravidão; em “No More Trouble”, eles dizem “We don’t need no trouble” e apresentam a solução num desafio – “What we need is love”. Há ainda incursões e romances – a deliciosa “Stir It Up”, com sua linha de baixo crescente e sinuosos solos de wah-wah (uma cortesia dos acréscimos feitos por Blackwell), leva à relaxante “Kinky Reggae”, que tem um divertido jogo de repetições.

Marley canta todas as faixas, à exceção de duas, mas Catch A Fire é, sem dúvida, o trabalho de uma banda ávida e cheia de energia criativa.

Concrete Jungle: YouTube Preview Image

400 Years: YouTube Preview Image

Slave Driver: YouTube Preview Image

No More Trouble: YouTube Preview Image

Stir It Up: YouTube Preview Image

Kinky Reggae: YouTube Preview Image

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