Os críticos nunca foram benévolos com o Bon Jovi e diversas vezes atribuíram o sucesso deste álbum ao sentimentalismo exagerado da banda e ao belo visual juvenil do vocalista, Jon Bon Jovi, mais do que às habilidades musicais do grupo. Não importa. O Bon Jovi conseguiu o impensável com Slippery When Wet: tornaram o heavy metal um gênero popular do qual as mulheres também podiam gostar. E, ao fazê-lo, conseguiram um álbum multiplatina nos Estados Unidos.
A capacidade de Jon de cantar com energia mesmo nos registros de voz mais agudos ajudou bastante, mas certamente os sintetizadores e melodias contagiantes contribuíram. Além disso, Bon Jovi fazia coisas simples, compondo músicas com as quais qualquer um podia se identificar: temas românticos (“You Give Love A Bad Name”, primeiro lugar nos Estados Unidos), desemprego (“Livin’ On A Prayer”, outro primeiro lugar) ou a virgindade (“Never Say Goodbye”). Como escreveu Chuck Kiosterman em Fargo Rock City, suas memórias sobre o heavy metal, “Bon Jovi apelava mais ao coração do que ao cérebro”.
Isso não significa que os fãs do metal não possam encontrar nada do seu agrado no disco. A banda fazia testes de mercado de suas músicas tocando versões demo para a garotada em uma pizzaria em frente ao estúdio, para garantir que elas funcionariam a contento. O guitarrista Richie Sambora era um solista fantástico, com seus solos flamejantes, e tornou novamente popular a talkbox, um efeito comumente usado por Peter Frampton que permite usar a boca para modular o som de uma guitarra. Como compensação para todo o idealismo romântico do grupo, um verso visceral como “I’ve seen a million faces and I’ve rocked them all” (“Vi um milhão de rostos e mexi com cada um deles”), em “Wanted Dead Or Alive”, demonstrava que Jon sabia como apelar aos desejos mais básicos dos fãs masculinos.







