A combinação inovadora e instigante de poesia e música proposta por Gil Scott-Heron causaria um grande impacto, mais tarde, no som afro-americano. Considerado o “padrinho do rap”, Scott-Heron falava abertamente das injustiças cometidas contra a comunidade negra, bem demonstradas no hino “The Revolution Will Not Be Televised”.
Foi em Winter In America que o nome de Scott-Heron se firmou na consciência do público. Isso se deveu, em grande parte, a seu parceiro, o talentoso tecladista Brian Jackson, que ajudou Scott-Heron a se transformar de poeta urbano e agressivo num arauto musical. Winter In America combina uma crítica aguçada com melodias cheias de sentimento. Scott-Heron é, ao mesmo tempo, duro e suave – mas determinado a expor seu ponto de vista.
Canções como “Rivers Of My Father” e “A Very Precious Time” têm um tom tranquilo e espiritual. São lindamente interpretadas por Scott-Heron, acompanhado pelos teclados sutis e contidos de Jackson. A dupla apresenta, depois, duas faixas cheias de balanço, “Back Home” e “The Bottle”. Esta última fala de alcoolismo, uma praga histórica na comunidade negra, e se tornou um hit do underground, com a importante contribuição de Jackson na flauta. “H2O Gate Blues” é um discurso inspirado e de um humor frio sobre o governo Nixon.
O disco é justificadamente raivoso e impregnado de mordacidade, inteligência e bem elaborados jogos de palavras. Não admira que as letras de Gil Scott-Heron fossem, mais adiante, exercer uma influência profunda em rappers com cinsciência social, como Public Enemy e Disposable Heroes Of Hiphoprisy.






