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“Call Of The Valley” de Shivkumar Sharma, Brijbushan Kabra e Hariprasad Chaurasia

Uma das peças-chave na introdução na música indiana no mundo ocidental, Call Of The Valley teve o aval de George Harrison, Paul McCartney, Bob Dylan, David Crosby e Roger McGuinn. Sem dúvida, este disco disputou, durante anos, o espaço nobre nas coleções hippies com os álbuns do The Grateful Dead.

Call Of The Valley é uma boa apresentação à música indiana clássica, em parte porque utiliza instrumentos comuns à Índia e ao Ocidente – a flauta e o violão. A ordem das canções foi organizada como numa suíte, na qual os instrumentos (inclusive o santoor de Caxemira e a tabla) são usados para contar a história de um dia na vida de um pastor da Caxemira, e ragas marcam as diferentes horas.

Os instrumentos parecem tocar de forma independente – como acontece, em geral, na maior parte da música indiana -, mas todos dialogam entre si perfeitamente. As melodias de guitarra dedilhadas por Brijbushan Kabra são uma festa de ruídos e deslizes atonais que, muitas vezes, soam como uma cítara. O santoor (um instrumento de cordas em forma de trapézio, tocado com baquetas, comum na música persa) de Shivkumar Sharma empresta ao disco uma qualidade dramática. Mas a estrela é a flauta bansuri de Hariprasad Chaurasia, que flutua sobre os demais instrumentos como um pássaro no vale da Caxemira, suspirando, batendo as asas e subindo lentamente antes de se precipitar das alturas.

Gravado com alta qualidade nos estúdios da EMI India em Bombaim (atual Mumbai), o disco projetou a música indiana, influenciando dezenas de álbuns lançados pela ECM e provando que o rock psicodélico tinha formado uma plateia para os sons da Índia no Ocidente.

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