Um disco nascido das cinzas dos ataques de 11 de setembro? Só um artista do calibre – e com a experiência – de Bruce Springsteen poderia lançar este álbum sem criar algo tolo, esteriotipado ou vangloriosamente vingativo.
The Rising é a magistral resposta de Springsteen. Canta energicamente sobre despertar para um céu vazio em “Empty Sky” e sobre as ruínas da cidade em “My City Of Ruins”. Tece um hino à bravura das equipes de resgate em “Into The Fire”. Fala dos “ímpetos de veingança”, mas sabe que tudo vai passar (“também isso irá passar, eu vou rezar [...] encontrar meu caminho em meio à desolação desse dia”) na bela “Lonesome Day”. Assume o lugar de sobrevivente traumatizado que se sente como um ninguém em “Nothing Man”, uma balada dolorosa que comove até às lágrimas.
The Rising é poderoso e impactante. Pela primeira vez desde Born In The USA, outro álbum de Springtseen que marcou uma época, ele se reúne em estúdio com a E Street Band. Dezoito anos após aquele grande disco, esses companheiros de longa data, reunidos pelo produtor grunge Brendan O’Brien, contribuem para o vigor declamatório de “Lonesome Day” e para a música que intitula o disco, e conferem às baladas “Nothing Man” e “You’re Missing” um tom elegíaco e lúgubre. O álbum fala sobre angústia, desespero, solidariedade e necessidade de seguir em frente; não trata de retaliação. Essa ideia de curar as feridas é inscrita com inspiração em “Worlds Apart”, que traz o harmônio, a tabla e estilos vocais da música oriental sufi. Em “Paradise”, Springsteen até mesmo se atreve a cantar sob a perspectiva de um homem-bomba. É um disco realmente emocionante.




































