Impossível inventar esta história: um álbum cubano, que vendeu seis milhões de cópias, liderou as paradas alemãs e rompeu as sanções para que os músicos pudessem tocar no Carnegie Hall – apesar de o disco não poder ser comprado em Havana, onde o seu estilo pré-revolucionário é considerado antiquado. Não bastasse isso, foi um acidente: o plano era levar alguns músicos de origem malê para gravar uma participação em Cuba, mas a burocracia impediu os africanos de comparecer e o estúdio já estava reservado. Ry Cooder perguntou a Juan de Marcos González, citado nos créditos como “consultor de A&R” (artista e repertório), se conhecia alguns músicos que estivessem disponíveis.
González vasculhou Havana à procura de sobreviventes dos anos dourados de Cuba, encontrando os cantores Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo, o pianista Rubén González, o guitarrista Compay Segundo e o baixista Cachaito López. Juntou também uma big band, os Afro Cuban All Stars, que gravaram o seu próprio álbum numa explosão de criatividade livre. Pediram a González que sugerisse músicas que gostaria de gravar. Ele apareceu no dia seguinte com tudo escrito em uma fita de caixa registradora. Com três álbuns gravados, cada um foi para o seu lado.
Apesar de muitas pessoas terem depois decidido que a World Circuit sempre soube exatamente o que estava fazendo, ninguém poderia ter previsto o que iria acontecer. Os músicos fizeram alguns espetáculos, mas as coisas cresceram sem seu envolvimento direto. As pessoas gostaram da história – músicos aposentados retornam para salvar um estilo musical em vias de extinção – e correram às lojas. Era verdade? E quem se importa?






