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“Marcus Garvey” do Burning Spear

Winston Rodney nasceu em St. Ann’s Parish, na Jamaica, onde também havia nascido Marcus Garvey, em 1887, ou seja, 58 anos antes. A experiência de crescer em meio à classe trabalhadora de St. Ann (terra natal de Bob Marley) marcaria o trabalho de ambos. Garvey encabeçou o movimento “de volta à África”, uma cruzada de ativismo político; Rodney lutou contra a injustiça através da música.

Marcus Garvey foi o terceiro álbum de Rodney, também conhecido como Burning Spear – nome inspirado no líder rebelde queniano Jomo Kenyatta -, e se transformou numa das mais impressionantes introduções à história do reggae. Apesar de remixado pela gravadora para atingir um público mais amplo (leia-se branco) – o que enfureceu Rodney -, o disco era uma mistura pungente de aspirações religiosas e temas culturais que podia ser entendida tanto como um grito de alerta quanto como uma reflexão pacífica.

A ilustração da capa, que mostra dois guerreiros negros e furiosos, dá o tom mesmo antes de Rodney abrir o disco com “Weeping and wailing and moaning / You’ve got yourself to blame, I tell you”. O acento político fica mais patente em “Slavery Days”, quando o cantor lembra as correntes de seus ancestrais. A banda Burning Spear era, na época, um trio, e a interpretação crua e emocionada de Rodney foi intensificada pelos vocais doces do baixo Rupert Willington e do tenor Delroy Hinds, em cantos devocionais como “Jordan River” e “Resting Place”. Com a colaboração, ainda, dos Black Disciples, Rodney garantiu que as futuras gerações se lembrassem de Garvey e do Burning Spear.

Slavery Days: YouTube Preview Image

Jordan River: YouTube Preview Image

Resting Place: YouTube Preview Image

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