Os Buzzcocks são justamente lembrados como a banda mais pop do mundo punk original. Mas eram também os que apresentavam um modernismo mais polido, e seu álbum de estreia, desde a elegante capa, mostra um grupo sem um grama a mais de gordura. O disco é veloz, barulhento e melodioso, com um saudável senso de aventura e espontâneo desde o início, indo além das regras ditadas pelo punk para letras e som.
Another Music In A Different Kitchen é um álbum feito por uma banda com um quinto elemento fantasma: Howard Devoto tinha deixado o grupo para formar o Magazine, mas o álbum traz três músicas das quais ele é co-autor. Uma área na qual os Buzzcocks levavam os princípios punk mais a sério era manter distância das estratégias traçadas pela gravadora – dessa forma, a maioria dos singles clássicos da banda ficaram de fora do LP (ao contrário de Never Mind The Bollocks, que incluía todos os hits). A exceção é a maravilhosa “I Don’t Mind”, que a banda, irritada, insistia ter sido batizada como “Marketing Ploy”.
Mas Another Music In A Different Kitchen não precisa conter os singles de sucesso, quando traz maravilhas próprias como “Fast Cars” e “Sixteen”. A voz de Pete Shelley flutua por sobre as guitarras às vezes harmônicas, às vezes opressivas. O álbum se encerra, de forma audaciosa e antidogmática, com uma faixa de sete minutos de duração, “Moving Away From The Pulsebeat”.
Essa banda descaradamente romântica salvou o punk da insistência em manter o amor fora da agenda e seu jeito de meninos ingleses vulneráveis abriu as portas para muitos outros artistas, de Morrissey e Edwyin Collins a Damon Albarn.





