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“Circuladô” de Caetano Veloso (1991)

Este álbum conseguiu um sucesso tão gigantesco que gerou um outro gravado ao vivo: Circuladô Ao Vivo. A primeira música, “Fora da Ordem”, fala dos problemas socioeconômicos do Brasil em ritmo de funk. “Circuladô De Fulô” mistura ritmos da Bahia com ritmos indígenas, sendo inspirada no poema homônimo do poeta Haroldo de Campos. “Itapuã” mostra Caetano numa interpretação grandiosa que honra a famosa praia, enquanto é acompanhado por um quarteto de cordas e uma seção rítmica. Gilberto Gil aparece como artista convidado em “Boas-Vindas”, um samba contagiante e otimista.

Em outros momentos do álbum, Caetano faz referência a valores tradicionais, como em “Baião da Penha”, de Guio Moraes e David Nasser, e à realidade social brasileira, como em “Neide Candolina”, que fala de uma mulher negra que tenta superar a pobreza com trabalho árduo, ou ainda em “O Cu Do Mundo”, com a participação de Gal Costa e Gilberto Gil, que critica a violência. Outros nomes que aparecem neste álbum são Milton Nascimento, no brilhante trabalho de composição de “A Terceira Margem Do Rio”, e Riuychi Sakamoto nas teclas de “Lindeza” – o título ideal para encerrar este álbum.

Fora da Ordem: YouTube Preview Image

Circuladô de Fulô: YouTube Preview Image

Itapuã: YouTube Preview Image

Boas-Vindas: YouTube Preview Image

Baião da Penha: YouTube Preview Image

Neide Candolina: YouTube Preview Image

O Cu do Mundo: YouTube Preview Image

A Terceira Margem do Rio: YouTube Preview Image

Lindeza: YouTube Preview Image

“Caetano Veloso” de Caetano Veloso (1968)

Se alguém tentar explicar ao público anglo-americano quem é Caetano Veloso, vai acabar construindo um híbrido de Brian Wilson, Stevie Wonder, Bob Dylan, Syd Barrett, John Lennon e Bob Marley. O mundo pop de língua inglesa não tem um Caetano Veloso e é provavelmente por isso que gente como Beck, Kurt Cobain e David Byrne o idolatra. Andrógino, profundamente intelectual e, ainda assim, muito irreverente, ele é capaz de se apresentar a plateias do tamanho de um estádio de futebol com uma música desavergonhadamente esnobe.

Este álbum de estreia foi peça-chave na formação do Tropicalismo, um movimento de pop art rebelde que estourou no final dos anos 60 no Brasil. Involuntariamente, Caetano uniu um grupo de poetas, pintores, dramaturgos e cineastas de esquerda nessa desafiadora resposta brasileira ao “neo-rock” dos Beatles. É uma bossa nova tocada por roqueiros psicodélicos e orquestrada por compositores clássicos, numa mistura ainda mais complexa por conta dos arranjos de metais e das harmonias vocais barrocas. A música é impressionante – como no tremulante rock psicodélico “Clarisse”, nas mágicas e complexas mudanças de acordes de “Clara” e em “Soy Loco Por Ti, América”, um vivo tributo a Che Guevara – e mesmo quem não fala uma palavra de português fica intrigado com a “poesia concreta” das letras de Caetano Veloso.

Os adolescentes brasileiros amaram o disco; a ditadura militar daquela época, não. Dois anos depois, Caetano foi forçado a deixar o Brasil e se exilar em Londres, o que só confirmou seu status de lenda e ajudou a divulgar sua carreira.

Clarisse: YouTube Preview Image

Clara: YouTube Preview Image

Soy Loco Por Ti, América: YouTube Preview Image

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