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“Future Days” do Can

Future Days representa a tentativa do Can de despir o rótulo de “Reis do Krautrock”. Nada das alucinações de space-rock de Monster Movie (1969) e do experimentalismo pop-progressivo de Ege Bamyasi (1972). É certo que traços de Tago Mago (1971) ainda ecoam no reggae funk do único single gerado pelo álbum, “Moonshake”, mas, desta vez, os alemães escaparam do beco sem saída dos solos de guitarra, típicos de colegas britânicos como o Pink Floyd.

Em “Spray”, o Can ajusta a mira para descobrir seu próprio baú de segredos do rock, através do ronco da guitarra de Michael Karoli, dos hipnóticos teclados de Irmin Schmidt e dos cânticos em código Morse, quase sempre incoerentes, de Damo Suzuki. É só acrescentar o pulsar cíclico de jazz do mestre da bateria Jaki Liebezeit e o baixo monocórdico de Czukay para entender a fórmula que garante a Future Days sua longevidade. É um rock para fãs de jazz e música clássica, uma música-cabeça que mapeia o vazio interior de cada integrante do grupo e seus improvisos coleticos. Quando “Bel Air” libera sua enxurrada de 20 minutos de guitarras, repetições de bateria, samples de pássaros, sons eletrôpnicos sombrios e breakbeats, o Can já não pode ser considerado apenas uma banda de rock.

Suzuki certamente não poderia mais ser incluído nessa categoria: virou testemunha de Jeová. O grupo implodiu no ritmo global de Soon Over Babaluma (1974), antes de se separar. O Can reapareceu no radar quando Future Days ressurgiu, nos anos 90, como um modelo de improvisação para estilistas pós-rock, como o Tortoise.

Moonshake: YouTube Preview Image

Spray: YouTube Preview Image

Bel Air: YouTube Preview Image

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“Tago Mago” do Can

Quando o vocalista Malcolm Mooney saiu do grupo, logo depois do lançamento do álbum de estreia do Can, Monster Movie, em 1969, o baixista Holger Czukay e o baterista Jaki Leibezeit cruzaram por acaso, em Munique, com o músico de rua japonês Damo Suzuki e o convidaram para se apresentar com a banda naquela noite. Os vocais flexíveis de Suzuki – que iam do sussurro tranquilo a gritos selvagens – puseram a plateia de 1,5 mil pessoas para correr do show.

Tago Mago começa com as suaves melodias orientais de “Paperhouse”, o som quase alienígena de “Mushroom” e os vocais invertidos, misteriosos e explosivos de “Oy Heay”. Depois desse início impressionante, vem o ritmo inesgotável de “Halleluwah”(sampleada pelo Primal Scream em “Kowalski”, de 1975), que traz o guitarrista de funk alemão Michael Karoli e os tape loops de Czukay, junto com blues piano, violinos torturantes e muito bariulho, até estourar num clímax psicodélico.

“Aumgn”, inspirada em Aleister Crowley, leva o experimentalismo ao extremo. O vocal mantra do tecladista Irmin Schmidt é envolvido por um ambiente sinistro. A faixa de encerramento, “Bring Me Coffee Or Tea”, é um alívio, depois de todos esses testes de resistência musical.

O Can, ao lado de grupos como Kraftwerk e Faust – que faziam uma fusão entre os primeiros experimentos eletrônicos de Stockhausen e o art rock do The Velvet Underground -, mostrou que as bandas de rock da Alemanha estavam começando a achar uma identidade própria, sem recorrer a imitações de artistas americanos e britânicos. Mesmo depois de 30 anos, Tago Mago soa contemporâneo e gloriosamente radical.

Paperhouse: YouTube Preview Image

Mushroom: YouTube Preview Image

Oh Yeah: YouTube Preview Image

Halleluwah: YouTube Preview Image

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Aumgn: YouTube Preview Image

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Bring Me Coffee Or Tea: YouTube Preview Image

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