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“Trout Mask Replica” de Captain Beefheart And His Magic Band

Depois do experimentalismo do movimento hippie, a influência da avant-garde no rock floresceu em bandas como Captain Beefheart And His Magic Band e Frank Zappa And The Mothers Of Invention. Com Zappa – velho amigo de escola de Beefheart – na produção, Trout Mask Replica fundiu blues, country, free jaz e boogie do sul dos Estados Unidos numa obra que se tornaria um dos discos fundamentais dos anos 70, e mesmo de décadas além.

O álbum duplo, de 28 faixas, é considerado experimental demais para o grande público, por apresentar uma visão muito livre da composição e letras que confundiriam um ouvinte casual. No entanto, o controle absoluto de Zappa sobre a produção ajudou a dar forma à tela abstrata pintada pela fantasia lírica de Captain, que teve em “Moonlight In Vermont”, “Neon Meate Dream Of A Octafish” e “Old Fart At Play” seus melhores momentos.

Beefheart não usou fones de ouvido para gravar os vocais – e o resultado é que ele canta no tempo das reverberações no estúdio, o que acrescenta mais um elemento complexo a esse caldeirão. Trout Mask Replica continua inspirador, mais ainda do que na época em que a The Band fazia sucesso, e o rock progressivo, o punk, e a new wave beberam dessa obra-prima do final dos anos 60.

Moonlight In Vermont: YouTube Preview Image

Neon Meate Dream Of A Octafish: YouTube Preview Image

Old Fart At Play: YouTube Preview Image

“Safe As Milk” de Captain Beefheart And His Magic Band (1967)

Depois de um período com a A&M, Captain Beefheart And His Magic Band assinou contrato com o selo Buddah, de Bob Krasnow, levando todas as músicas “negativas” que Jerry Moss, sócio da A&M, havia se recusado a lançar.

Talvez o ar comportado que o Capitão e sua tripulação apresentam na capa não pareça revolucionário hoje, mas, em 1965 e 1966, enquanto o R&B inglês era a tendência musical do underground nos Estados Unidos, e os Beatles e o selo de música negra Tamla mandavam nas rádios, Safe As Milk era um must para os amantes da música experimental.

Contra todas as excentricidades, a combinação do pop puro de Krasnow e Perry com a enorme visão do inimitável Beefheart deu o que falar. Captain não perdia de vista o sucesso comercial e encarregou o baixista Ry Cooder, então integrante dos Rising Sons, providenciava os arranjos e a slide guitar. O vibrafone de Milt Jackson e os futuros pilares da Magic Band, Alex St. Clair e John French, arredondavam o núcleo dessa mistura de Delta blues, jazz, sons psicodélicos, R&B e folk-rock americano tradicional de meados dos anos 60.

Sobram maravilhas do encanto infantil de “Yellow Brick Road” ao irônico “Dropout Boogie”. “I’m Glad” é puro soul, “Autumn’s Child”, uma ambiciosa sinfonia ácida, e “Electricity”, uma algazarra clássica guiada pelo Theremin. E, ao longo de tudo isso, a voz gasta e blueseira de Beefheart.

O álbum resultante é um híbrido bem equilibrado, até mesmo tocável nas rádios, que também tem elementos do disco que estava por vir – Trout Mask Replica.

Yellow Brick Road: YouTube Preview Image

Dropout Boogie: YouTube Preview Image

I’m Glad: YouTube Preview Image

Autumn’s Child: YouTube Preview Image

Electricity: YouTube Preview Image

Zig Zag Wanderer: YouTube Preview Image

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