Gravado num período de oito semanas entre o inverno e a primavera de 1979, nos estúdios Kendun, da Califórnia, e The Power Station e Electric Lady, de Nova York, Risqué é a melhor prova contra os que acusam a música disco de ter pouca substância. O álbum representa o auge da parceria criativa entre Bernard Edwards e Nile Rodgers. Escorado por um orçamento de 160 mil dólares, permanece um disco grandioso com ambições grandiosas.
“Good Times”, com seu zumbido de motor a jato e seu sensacional ritmo repetitivo, é o monumento derradeiro do Chic ao pop, uma recriação irônica do clássico da era da Depressão “Happy Days Are Here Again”. O refrão de 20 notas do baixo de Edwards definiu não apenas a música urbana, mas também o hip hop, e foi sampleado pelo Sugarhill Gang em “Rapper’s Delight”. Pode-se discutir se o resto do álbum consegue manter o nível de qualidade dessa faixa, mas o disco é algo fantástico e sombrio, e apenas “A Warm Summer Night” e “Will You Cry (When You Hear This Song)” oferecem uma pausa ao ritmo sem descanso do LP.
O álbum foi lançado em agosto de 1979, com um projeto gráfico que parecia com o conceito de Hipgnosis. A capa em sépia combinava com o outro grande lançamento da Atlantic daquele verão, In Through The Out Door, do Led Zeppelin. A gravadora até voltou a exibir seu selo prateado, uma marca de seu catálogo de jazz e R&B, somente para este disco.
Risqué é um álbum que discorre sobre relacionamentos: os amores tristes e não correspondidos, aqueles marcados pelo sadismo e pelo desespero, a relação com o passado e com as pistas de dança. Floreado e cheio de detalhes, o LP, porém, acabou em pouco tempo eclipsado pelo movimento “música disco é uma droga”.











