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“Be” de Common (2005)

O psicodelismo não ajudou nem um pouco o rapper Common. O eclético Electric Circus deixou seus fãs perplexos e o final do relcionamento com Erykah Badu só piorou sua imagem.

Foi então que surgiu um Midas moderno para salvá-lo – Kanye West. Juntos, elaboraram o sucessor espiritual de The Miseducation Of Lauryn Hill, de 1998: uma bela confluência entre o hip-hop e o soul clássico. Chegou ao segundo lugar nos Estados Unidos e fez com que Common deixasse de ser um artista de gueto na Inglaterra.

Esvaziado das metáforas habituais de Common, as letras de Be são Cândidas e imaginativas ao mesmo tempo. No single “The Corner” – que conta com a participação dos pioneiros do rap, The Last Poets -, ele fala sobre as ruas de Chicago sem sentimentalismo barato nem glorificação das armas. E em “Real People” cospe versos que poderiam muito bem ser de Chuck D., do Public Enemy, não fosse pelo acompanhamento alegre. Há poucos e seletos convidados, com aparições discretas do cantor e compositor John Mayer, do artista de neo-soul Bilal e do trovador de R&B John Legend. Contudo, em uma faixa clássica no estilo old-school, Common e Kanye saem detonando em “The Food” o show do humorista Dave Chappelle (fonte da frase “Rick James, bitch”, citada em “Chi-City”).

O falecido produtor J. Dilla comanda as faixas mais doces: “Love Is…”, ainda mais bela que a música de Marvin Gaye (“God Is Love”), de onde foram retirados os seus samples, e “It’s Your World”, que, como no disco de Lauryn Hill, fala sobre sonhos de crianças (“Quero ser um astronauta! Quero ser um pato!”) sem se tornar enjoativo. Be é simplesmente sublime.

The Corner: YouTube Preview Image

Real People: YouTube Preview Image

The Food: YouTube Preview Image

Chi-City: YouTube Preview Image

Love Is…: YouTube Preview Image

It’s Your World: YouTube Preview Image

Go!: YouTube Preview Image

“Like Water For Chocolate” do Common (2000)

Like Water Fro Chocolate, o revolucionário álbum de estreia do Common, revelava sensibilidade, um sentimento de família e de comunidade, equilibrando histórias sobre a dura realidade com exemplos inspiradores de herois verdadeiros.

A faixa de abertura, “Time Travelin’”, tem sua origem no Laos, um tributo a uma das figuras centrais do Afrobeat, Fela Kuti. Nessa música, Femi, filho de Kuti, participa dos vocais. Em “Heat”, a equipe de produção cinco estrelas de Common (os Soulquarians, formada para este álbum, com ?uestionlove, James Poysner, Jay Dee e D’Angelo) usou vários grooves criativos e letais.

Houve momentos de impulsividade (“The Light”, que declarava o amor de Common por Erykah Badu), momentos de violência (“Payback Is A Grandmother”), provando que tudo na vida é “política”. O DJ Premier usou as pickups em “Sixth Sense”, um hino solene aos poderes redentores do hip-hop. Mos Def pegou o microfone para circular pelas muitas perguntas sobre a vida em “Questions”. Para encerrar, Common prestou duas homenagens à geração anterior: a primeira, um tributo à heroína dos Panteras Negras (e mãe de Tupac) Assata Shakur; a segunda, com a participação de seu pai, Lonnie “Pops” Lynn, um rap caloroso sobre a sua família global, sobre um improviso de Fela. Common afirmava que existe uma força e uma resiliência no gueto que perduram, merecendo o estímulo e o orgulho dos seus membros.

Time Travelin’: YouTube Preview Image

The Light: YouTube Preview Image

Payback Is A Grandmother: YouTube Preview Image

Sixth Sense: YouTube Preview Image

Questions: YouTube Preview Image

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