O psicodelismo não ajudou nem um pouco o rapper Common. O eclético Electric Circus deixou seus fãs perplexos e o final do relcionamento com Erykah Badu só piorou sua imagem.
Foi então que surgiu um Midas moderno para salvá-lo – Kanye West. Juntos, elaboraram o sucessor espiritual de The Miseducation Of Lauryn Hill, de 1998: uma bela confluência entre o hip-hop e o soul clássico. Chegou ao segundo lugar nos Estados Unidos e fez com que Common deixasse de ser um artista de gueto na Inglaterra.
Esvaziado das metáforas habituais de Common, as letras de Be são Cândidas e imaginativas ao mesmo tempo. No single “The Corner” – que conta com a participação dos pioneiros do rap, The Last Poets -, ele fala sobre as ruas de Chicago sem sentimentalismo barato nem glorificação das armas. E em “Real People” cospe versos que poderiam muito bem ser de Chuck D., do Public Enemy, não fosse pelo acompanhamento alegre. Há poucos e seletos convidados, com aparições discretas do cantor e compositor John Mayer, do artista de neo-soul Bilal e do trovador de R&B John Legend. Contudo, em uma faixa clássica no estilo old-school, Common e Kanye saem detonando em “The Food” o show do humorista Dave Chappelle (fonte da frase “Rick James, bitch”, citada em “Chi-City”).
O falecido produtor J. Dilla comanda as faixas mais doces: “Love Is…”, ainda mais bela que a música de Marvin Gaye (“God Is Love”), de onde foram retirados os seus samples, e “It’s Your World”, que, como no disco de Lauryn Hill, fala sobre sonhos de crianças (“Quero ser um astronauta! Quero ser um pato!”) sem se tornar enjoativo. Be é simplesmente sublime.














