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O atômico Sr. Basie

Em 1957, os melhores dias do grupo de Bill Basie, formado em 1930, haviam ficado duas décadas para atrás; as mudanças nos gostos musicais o haviam forçado a desistir de sua big band por uns tempos, no início dos anos 50. Felizmente, foi a última vez que ficou sem uma banda. Tudo o que Basie precisava, ele descobriu, era de um pouco de sangue novo, que encontrou nas veias do jovem arranjador Neal Hefti. Apenas cinco anos depois de seu primeiro trabalho para o grupo, Hefti foi chamado para orquestrar todo o disco que Basie lançaria por seu novo selo, Roulette.

“Nunca me gabei de nada”, escreveu Basie, sempre modesto, em sua autobiografia, “mas poderia ter me gabado dessa banda”. Estava certo. Impulsionados pelo saxofonista Eddie “Lockjaw” Davis e um naipe estelar de trompetes liderados por Thad Jones, os 12 instrumentos de metal alternam fogo (“Whirly-Bird”) e gelo (“After Supper”) e dão um efeito efervescente às 11 músicas compostas por Hefti. Mas, como sempre acontece com Basie, o melhor do disco está na seção rítmica: o baixista Eddie Jones, o baterista Sonny Payne, o guitarrista Freddie Green e o próprio Basie no piano, com seu típico estilo econômico, levam o swing até músicas suaves como “Li’l Darlin’”.

Foi o último disco genial de Basie. Em meados da década de 60, ele já havia se acomodado à copnfortável posição de um dos mais queridos da velha-guarda do jazz, papel que desempenharia até sua morte, em 1984. Hefti, enquanto isso, se livrou do jazz em prol de Hollywood, ficando famoso por suas trilhas sonoras para Batman e Um Estranho Casal.

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