Depois de quase uma década de discos quase-terríveis, o quase-brilhante Freedom (1989) mostrou ser um trabalho suficientemente bom para ser considerado o álbum de retorno de Neil Young. Mas ainda que suas letras enraivecidas e a divisão entre música acústica e elétrica ecoassem o último grande triunfo de Young – Rust Never Sleeps, de 1978 -, algo estava faltando: o Crazy Horse.
Ao mesmo tempo o melhor e o pior grupo do mundo, o Crazy Horse (formado pelo baterista Ralph Molina, o baixista Billy Talbot e, nos discos de Young, pelo guitarrista Frank “Poncho” Sampedro) tinha sido o acompanhante mais duradouro de Neil Young. A amarga separação depois de Lire (1987) parecia permanente, mas Freedom fez com que Young se apercebesse de quanto o Crazy Horse era imprescindível.
Sem serem músicos muito técnicos, a magia dos integrantes do Crazy Horse estava em sua capacidade de improvisação. No passado, Young tinha perturbado demais a química delicada do grupo. O produtor David Briggs limitou o papel de Young a cantor, compositor e guitarrista e negou-se a lhe mostrar o material até que a gravação – realizada no galpão cavernoso que aparece na capa do álbum – estivesse terminada.
Ainda que as músicas, na sua maioria nostálgicas, não apresentem a fúria do álbum anterior (“Country Home” e a excelente “White Line” remontam aos anos 70), Ragged Glory é, em termos de som, tudo o que Freedom deveria ter sido. Os ritmos lentos e pesados do Crazy Horse e os solos frenéticos e repletos de distorção de Young – especialmente na furiosa “F*!#in’ Up” e na versão cover maravilhosamente descuidada de “Farmer John” do The Premiers – fazem deste álbum um destaque improvável na era do grunge.










