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“Ragged Glory” de Neil Young And Crazy Horse (1990)

Depois de quase uma década de discos quase-terríveis, o quase-brilhante Freedom (1989) mostrou ser um trabalho suficientemente bom para ser considerado o álbum de retorno de Neil Young. Mas ainda que suas letras enraivecidas e a divisão entre música acústica e elétrica ecoassem o último grande triunfo de Young – Rust Never Sleeps, de 1978 -, algo estava faltando: o Crazy Horse.

Ao mesmo tempo o melhor e o pior grupo do mundo, o Crazy Horse (formado pelo baterista Ralph Molina, o baixista Billy Talbot e, nos discos de Young, pelo guitarrista Frank “Poncho” Sampedro) tinha sido o acompanhante mais duradouro de Neil Young. A amarga separação depois de Lire (1987) parecia permanente, mas Freedom fez com que Young se apercebesse de quanto o Crazy Horse era imprescindível.

Sem serem músicos muito técnicos, a magia dos integrantes do Crazy Horse estava em sua capacidade de improvisação. No passado, Young tinha perturbado demais a química delicada do grupo. O produtor David Briggs limitou o papel de Young a cantor, compositor e guitarrista e negou-se a lhe mostrar o material até que a gravação – realizada no galpão cavernoso que aparece na capa do álbum – estivesse terminada.

Ainda que as músicas, na sua maioria nostálgicas, não apresentem a fúria do álbum anterior (“Country Home” e a excelente “White Line” remontam aos anos 70), Ragged Glory é, em termos de som, tudo o que Freedom deveria ter sido. Os ritmos lentos e pesados do Crazy Horse e os solos frenéticos e repletos de distorção de Young – especialmente na furiosa “F*!#in’ Up” e na versão cover maravilhosamente descuidada de “Farmer John” do The Premiers – fazem deste álbum um destaque improvável na era do grunge.

F*!#in’ Up: YouTube Preview Image

Farmer John: YouTube Preview Image

Love To Burn: YouTube Preview Image

“Rust Never Sleeps” de Neil Young And Crazy Horse (1979)

Em 1979, Neil Young comemorava o fato de ter sobrevivido aos anos 70 com sua integridade intacta. A revista Village Voice até mesmo o classificou como o “Artista da Década”, confirmando Young como um dos poucos astros de sua época, ao lado de Bob Dylan e Van Morrison, a fazer com sucesso a transição dos anos 60.

Young prosseguiu sua carreira solo em duas frentes. O filme Rust Never Sleeps, que estreou em julho de 1979, continha gravações do concerto no Cow Palace, em São Francisco, no ano anterior. Mas o álbum com o mesmo nome, lançado simultaneamente, era mais interessante e trazia um lado acústico só com Young e um lado alétrico com o Crazy Horse como banda de apoio. O disco se ancorava nas variações de uma música, “My My, Hey Hey”, que refletia sobre a natureza passageira do estrelato. A canção ganhou o status de lenda quando Kurt Cobain, do Nirvana, a citou no bilhete que deixou ao se suicidar.

Os destaques entre as faixas acústicas incluem “Pocahontas”, inspirada na índia Sachgeen Littlefeather, que apareceu na festa do Oscar, enviada por Marlon Brando, para recusar o prêmio de melhor ator por O Poderoso Chefão (Young havia explorado o tema da destruição dos povos nativos americanos em “Broken Arrow”, na época do Buffalo Springfield). “Thrasher” fazia alusão velada a seu relacionamento com Crosby, Stills e Nash.

O poderoso lado B, gravado ao vivo, mas sem o som da plateia, começa com “Powderfinger”, uma história de faroeste, e conclui com uma segunda versão do tema do álbum, “Hey Hey, My My (Into The Black)”. O disco representa o som de um artista que se recusa a apagar seu fogo e desaparecer.

My My, Hey Hey (Out Of The Blue): YouTube Preview Image

Pocahontas: YouTube Preview Image

Thrasher: YouTube Preview Image

Powderfinger: YouTube Preview Image

Hey Hey, My My (Into The Black): YouTube Preview Image

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