Arquivos

Categorias

“Cosmo’s Factory” do Creedence Clearwater Revival

O Creedence Clearwater Revival lançou seis discos fundamentais em apenas dois anos e meio, todos feitos às pressas, sem enfeites – eram somente rock ‘n’ roll puro, contagiante e num estilo pop. Cosmo’s Factory foi o quinto, e liderou durante nove semanas consecutivas as paradas dos Estados Unidos.

É um trabalho essencialmente Creedence: uma gloriosa depuração de sua mistura diferenciada, inspirada no Sul dos Estados Unidos, de swamp boogie e pop primitivo e intenso. A banda escapou dos excessos psicodélicos à base de drogas praticados por muitos de seus pares em São Francisco, para fazer um álbum que inclui os dois lados dos três hits em singles mais recentes do grupo, e versões de músicas popularizadas por Elvis Presley, Roy Orbinson e Bo Diddley – mais um extenso e maravilhoso jam e “I Heard It Through The Grapevine”. No mais, “Travelin’ Band” homenageava Little Richard, enquanto o Vietnã foi a fonte sombria de inspiração de “Who’ll Stop The Rain” e “Run Through The Jungle”.

John Fogerty, a voz mais ousada e potente do rock ‘n’ roll, é quem novamente domina o álbum: ele compôs, produziu e cantou, além de tocar guitarra, saxofone e teclados. Mas dentro da banda ferviam ressentimentos. Este disco seria seu último grande sucesso. A foto da capa foi tirada em seu estúdio/depósito/escritório (na Fifth Street, 1.230, Berkeley), que o grupo apelidou de “Cosmo’s Factory”. Tom, irmão de John (que mais tarde deixou a banda, pressagiando seu fim), está deitado, com o pé apoiado num letreiro que diz “Enxuto, limpo e cheio de blues”. Uma receita simples para uma música de grandeza duradoura.

I Heard It Through The Grapevine: YouTube Preview Image

Travelin’ Band: YouTube Preview Image

Who’ll Stop The Rain: YouTube Preview Image

Run Through The Jungle: YouTube Preview Image

Lookin’ Out My Back Door: YouTube Preview Image

Up Around The Bend: YouTube Preview Image

Long As I Can See The Light: YouTube Preview Image

“Green River” do Creedence Clearwater Revival

O álbum de estreia do Creedence, lançado em 1968, mostrou uma banda que conseguia combinar blues com rock ‘n’ roll para criar uma música nova e cheia de alma. O disco que se seguiu, Bayou Country, incluía “Proud Mary”, seu primeiro grande sucesso internacional. Com Green River, porém, o Creedence definiu seu conceito e seu tipo de som – enxuto, claro e direto.

O Creedence era da região de São Francisco, mas se absteve dos temas psicodélicos e inspirados por drogas, popularizados pelas bandas do distrito de Haight-Ashbury – e, assim, foi saudado por críticos e público como o salvador do rock ‘n’ roll americano. Green River abre com a faixa-título – uma ode de Fogerty à magia do Sul, a canção estoura em tons agudos, enquanto John canta o retorno a um lugar onde as meninas dançam descalças e os sapos o chamam pelo nome. “Wrote A Song For Everyone” proporciona um raro vislumbre da vida pessoal de Fogerty, ao tratar de seus problemas no casamento. “Bad Moon Rising” foi o maior sucesso do Creedence e – depois de “Proud Mary” – sua música mais famosa. Num ritmo alegre, quase rockabilly, o baterista Dough Clifford, o baixista Stu Cook e o guitarrista Tom Fogerty aumentam a potência quando John canta sobre os eventos de mau agouro no horizonte – com a Guerra do Vietnã no auge e o governo Nixon assumindo o poder, aquilo soava bem verdadeiro. “Lodi” é uma balada sobre a vida de músicos batalhando por um lugar ao sol. O resto do álbum é composto por rocks fortes e com gosto de blues.

O Creedence voaria mais alto, em termos artísticos e comerciais, nos discos Willie And The Poorboys e Cosmos Factory, mas Green River foi a primeira demonstração consistente do que se tornaria a marca registrada do grupo – um som limpo, mas vigoroso.

Green River: YouTube Preview Image

Wrote A Song For Everyone: YouTube Preview Image

Bad Moon Rising: YouTube Preview Image

Lodi: YouTube Preview Image

“Bayou Country” do Creedence Clearwater Revival

Antes de o serviço militar chamar o vocalista John Fogerty e o baterista Dough Cliford, o grupo que se tornaria o Creedence Clearwater Revival gravou alguns discos com os nomes de The Visions e The Golliwogs, fazendo um som pré-psicodélico no estilo inglês. Depois de cumprirem o tempo obrigatório, os rapazes mudaram de nome, abandonaram as pretensões britânicas e lançaram seu LP de estreia em 1968.

Os anos de turnês fizeram da banda uma atração ao vivo de dar água na boca. Claramente embalado pelo rock ‘n’ roll primitivo dos anos 50, o Creedence fazia um irresistível rock puro, típico do Sul dos Estados Unidos, numa volta às raízes que espelhava o caminho ao qual a The Band e Bob Dylan tinham dado as costas, em seus excessos psicodélicos.

Segundo álbumm do Creedence, Bayou Country incluiu o primeiro grande sucesso da banda, “Pround Mary”, que vendeu um milhão de cópias – uma ode ao barco a vapor do Mississippi composta por Fogerty, que também era vocalista, guitarrista, arranjador e produtor do grupo. Ele fez tudo para se perpetuar como um mito sulista em seu trabalho com o Creedence, mas, na verdade, tinha nascido na Califórnia.

Outros destaques são “Good Golly Miss Molly”, uma versão de um clássico de Little Richard, “Born On The Bayou”, o blues “Graveyard Train” e “Keep On Chooglin”, em que John Fogerty toca um maravilhoso trecho instrumental de quase oito minutos.

O sucesso deste álbum abriu caminho para os oito singles de ouro e de platina que o grupo emplacou nos Estados Unidos nos dois anos e meio seguintes. Em 1971, uma pesquisa da New Music Express classificou a banda como o melhor grupo do mundo – acima dos Beatles.

Proud Mary: YouTube Preview Image

Good Golly Miss Molly: YouTube Preview Image

Born On The Bayou: YouTube Preview Image

Graveyard Train: YouTube Preview Image

Keep On Chooglin: YouTube Preview Image

Bootleg: YouTube Preview Image

Penthouse Pauper: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados