O Creedence Clearwater Revival lançou seis discos fundamentais em apenas dois anos e meio, todos feitos às pressas, sem enfeites – eram somente rock ‘n’ roll puro, contagiante e num estilo pop. Cosmo’s Factory foi o quinto, e liderou durante nove semanas consecutivas as paradas dos Estados Unidos.
É um trabalho essencialmente Creedence: uma gloriosa depuração de sua mistura diferenciada, inspirada no Sul dos Estados Unidos, de swamp boogie e pop primitivo e intenso. A banda escapou dos excessos psicodélicos à base de drogas praticados por muitos de seus pares em São Francisco, para fazer um álbum que inclui os dois lados dos três hits em singles mais recentes do grupo, e versões de músicas popularizadas por Elvis Presley, Roy Orbinson e Bo Diddley – mais um extenso e maravilhoso jam e “I Heard It Through The Grapevine”. No mais, “Travelin’ Band” homenageava Little Richard, enquanto o Vietnã foi a fonte sombria de inspiração de “Who’ll Stop The Rain” e “Run Through The Jungle”.
John Fogerty, a voz mais ousada e potente do rock ‘n’ roll, é quem novamente domina o álbum: ele compôs, produziu e cantou, além de tocar guitarra, saxofone e teclados. Mas dentro da banda ferviam ressentimentos. Este disco seria seu último grande sucesso. A foto da capa foi tirada em seu estúdio/depósito/escritório (na Fifth Street, 1.230, Berkeley), que o grupo apelidou de “Cosmo’s Factory”. Tom, irmão de John (que mais tarde deixou a banda, pressagiando seu fim), está deitado, com o pé apoiado num letreiro que diz “Enxuto, limpo e cheio de blues”. Uma receita simples para uma música de grandeza duradoura.





















