Curtis Mayfield, um dos mais talentosos artistas do século XX, era original tanto no papel de cantor e compositor como no de crítico social e pioneiro da música. A trilha sonora de Superfly, lançada em 1972, garantiu a Mayfield o aplauso da crítica e um grande público, mas, em 1975, a música negra americana estava se tornando um tanto pautada pela disco music e a maioria das canções eram simples celebrações hedonistas. Mayfield reagiu com There’s No Place Like America Today, uma triste crônica sobre a vida do negro no país. A capa mostra uma fila de pessoas negras que parecem diminuir de tamanho diante de um enorme outdoor de uma sorridente família branca. Recriada a partir de uma fotografia de Margaret Bourke-White, de 1937, a imagem resume o abismo entre o sonho americano e a realidade das ruas.
Como Marvin Gaye no épico What’s Goin’ On, Mayfield é inflexível ao retratar o dilema a seu redor, mas, de forma suave e firme, prega a esperança. A faixa de abertura, “Billy Jack”, conta a história de um marginal insignificante que acaba assassinado. “When Season Change”, com influência do gospel, reflete sobre o desespero que está por trás da pobreza. “So In Love” é uma linda canção de amor de Mayfield, enquanto “Jesus” fala da possibilidade de redenção espiritual. “Blue Monday People” é um apelo por mais amor e menos dinheiro; “Love To The People” traz uma mensagem positiva sobre amar sua própria gente.
No lançamento, o álbum mostrou que era capaz de atingir o público negro americano, mas – talvez sem surpresas – foi ignorado pelos brancos. Desde então, There’s No Place Like America Today tem repercutido um pouco mais.









