Os ravers não estavam preparados para Homework. No início de 1997, os encantos do britpop que tinham seduzido quase toda a juventude inglesa e a música eletrônica, antes tão progressista, estavam em baixa. Mas a mistura de P-funk, disco, acid e samples no estilo hip-hop do Daft Punk reinventou o gênero, deixando confusos os adeptos de dance music da época.
O álbum podia ter sido apenas obra de dois jovens precoces que, como insinuava o título, tinham feito o dever de casa. “É simples quando se é adolescente, é natural” – disse Guy-Manuel de Homem Christo, na época com pouco mais de 20 anos. “Qualquer adolescente prefere um tipo de música viva, a forma mais energética, e o rock ‘n’ roll não é mais nada disso. A música dance é muito mais jovem e inovadora”.
Depois de brincar com o rock indie na sua banda anterior, Darlin, Guy-Manuel e o seu carismático parceiro de produção Thomas Bangalter partiram para a música dance num estilo nitidamente francês. O seu grande sucesso “Da Funk”, de 1995, deve muito a George Clinton e a Paul Oakenfold. O single seguinte, menos energético porém mais comercial, “Around he World”, também funde influências muito heterogêneas (Kool And The Gang, Zapp, Buggles) numa só música. Era “cortar e colar” para as pistas, imediatamente novo mas muito retrô.
Homework faz a ponte entre os estilos de música dançante mais consagrados e o ecletismo crescente do big beat. Provou a muitos frequentadores de clubes que o dance era algo além de pílulas e sons pré-programados.







