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“Tank Battles” de Dagmar Krause (1988)

Nascida em Hamburgo, em 1950, a adolescente Dagmar Krause cantava nos bares noturnos da famosa Rua Reeperbahn. Muito mais tarde, em 1978, depois de ter estrelado numa versão londrina do musical Mahagonny, de Brecht e Kurt Weill, começou a pesquisar a vida de um compatriota de Weill, o músico Hanns Eisler, que tinha combatido num batalhão húngaro em 1916 antes de se juntar ao conhecido poeta Bertolt Brecht.

O resultado dessa pesquisa foi Tank Battles, que incluía Alexander Badalanescu (viola), John Harle (saxofone) e Danny Thompson (baixo acústico). A produção brilhante e os arranjos orquestrais estavam a cargo de Greg Cohen, que havia trabalhado recentemente com Tom Waits no seu álbum Frank’s Wild Years, inspirado pela paixão de Waits pelo cabaré. As interpretações de Cohen crepitam com tensão nervosa. Cordas em staccato e linhas melódicas dos instrumentos de sopro pulsam sob as vogais metálicas do alemão de Krause. A maioria das músicas é cantada em inglês, mas nem por isso as paixões amargas de Brecht se perdem. Faixas como “Song Of The Whitewash” e “Ballad Of (Bourgeois) Welfare” estão repletas de veneno, tal como a militante “You Have To Pay” e “The Trenches”.

Tank Battles possui um pouco de humor negro, e o retrato de uma prostituta, “Mother Beimlein”, cantado sobre uma linha simples de fagote, é uma obra-prima. É preciso se lembrar ainda da dolorosa tristeza de “A German Mother” e “The Homecoming”.

Robin Denselow, do jornal The Guardian, descreveu o álbum como “soul europeu”, e certamente ninguém podia resistir à vitalidade dolorida de Krause.

Song Of The Whitewash: YouTube Preview Image

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